A nova diretriz brasileira para deficiência de vitamina B12 define valores laboratoriais para confirmar o quadro e orienta a escolha entre tratamentos por via oral, sublingual ou intramuscular. As três opções têm eficácia equivalente para normalizar os níveis do nutriente, e a decisão deve considerar a tolerância e a capacidade de manter o tratamento.
Exames abaixo de 200 pg/mL confirmam a deficiência. Resultados entre 200 e 300 pg/mL são considerados limítrofes e exigem, quando possível, a avaliação de marcadores funcionais, como ácido metilmalônico e homocisteína. Acima de 300 pg/mL, os níveis são considerados adequados.
O endocrinologista Fábio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e autor do trabalho, afirma que os marcadores ajudam a confirmar casos intermediários. Ele também destaca que o ácido metilmalônico pode ter uso limitado na rotina por custar mais de R$ 1 mil. A interpretação dos resultados deve ser relacionada a sintomas como dor neuropática e alteração cognitiva.
Medicamentos e grupos de risco
O consenso recomenda triagem anual para pacientes que usam por mais de seis meses medicamentos que podem afetar a absorção gástrica, como omeprazol, pantoprazol e metformina. Moura diz que pessoas em uso crônico desses remédios devem ter a vitamina B12 verificada pelo menos uma vez por ano.
A carência atinge até 30% dos idosos e 40% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. A deficiência pode causar anemia megaloblástica e danos neurológicos irreversíveis.
A alimentação é a principal forma de obter o nutriente, encontrado quase exclusivamente em alimentos de origem animal. Por isso, vegetarianos e veganos precisam de planejamento preventivo, acompanhamento nutricional e suplementação regular ou uso de alimentos efetivamente fortificados com B12.
A nutricionista Fernanda Castro afirma que a suplementação não deve ser indicada indistintamente para toda a população. A necessidade depende do padrão alimentar, dos sintomas, dos exames e de condições que prejudiquem a absorção. Dose e frequência devem ser individualizadas conforme a idade, o histórico clínico e a capacidade de absorção.
Embora as vias oral e sublingual sejam eficazes na maioria dos casos, inclusive quando há má absorção, a forma injetável pode ser priorizada em urgências ou em comprometimentos neurológicos severos. O monitoramento deve começar um mês após o início da reposição, com novas avaliações aos três e seis meses.
Elaborado por endocrinologistas, hematologistas, gastroenterologistas, cirurgiões bariátricos, geriatras e neurologistas, o documento foi publicado na revista eClinicalMedicine, do grupo The Lancet. A proposta é uniformizar as condutas de reposição no país.








