SÃO PAULO — A inteligência artificial já é usada para acelerar diagnósticos, identificar sinais de doenças e monitorar pacientes em serviços de saúde. No Brasil, a tecnologia aparece principalmente em clínicas, hospitais e projetos do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto na China também está disponível em cabines de atendimento instaladas em locais de grande circulação.
Em Xangai, 250 totens funcionam em estações de metrô. O usuário informa sintomas por voz ou texto, mede sinais vitais e recebe um laudo em cerca de quatro minutos. Um médico conectado ao sistema revisa o caso, valida a prescrição ou encaminha o paciente a um hospital. Ao todo, há mais de 2 000 cabines instaladas na China.
No município de Jordão, no Acre, sete cabines de triagem com IA foram instaladas neste ano em Unidades Básicas de Saúde. Outras quatro estão em áreas rurais, ribeirinhas e indígenas. Os equipamentos medem sinais vitais, classificam riscos e, em alguns casos, oferecem consultas virtuais. O município tem 1,8 médico por 1 000 habitantes, enquanto a média nacional é de 2,8.
Uso em exames e hospitais
Na medicina diagnóstica, sistemas analisam grandes volumes de dados e reconhecem padrões que podem indicar doenças. Na Dasa, ferramentas avaliam diariamente milhares de laudos e apontam indícios relacionados a ao menos quarenta doenças. Em casos de câncer de mama, o alerta para lesões suspeitas reduziu de dezessete para sete dias o intervalo médio entre o sinal de alarme e o início do tratamento.
O Fleury usa IA para analisar tomografias de crânio e tórax com contraste. A ferramenta identifica achados críticos, como hemorragias, e organiza a ordem de avaliação dos exames potencialmente positivos.
Na China, o algoritmo Panda encontrou possíveis sinais de câncer de pâncreas em mais de 1 400 exames desde o início da operação. Desse total, 300 seguiram para intervenções médicas, conforme estudo publicado na Nature Medicine.
As regras do Conselho Federal de Medicina, em vigor desde o fim de agosto, estabelecem que o diagnóstico, o prognóstico, a prescrição e outros atos médicos continuam sob responsabilidade do profissional. O paciente também deve ser informado quando a IA for utilizada.
Limites e expansão
A tecnologia também chegou a equipamentos domésticos. O medidor de pressão AFib usa um algoritmo para reconhecer padrões que podem sugerir um tipo comum de arritmia, inclusive em pessoas sem sintomas ou com episódios esporádicos.
Especialistas alertam que o desempenho dos sistemas depende da qualidade e da diversidade dos dados usados no treinamento. Um estudo internacional apontou queda significativa na capacidade de identificar alterações na pele em pacientes negros, porque os algoritmos são treinados principalmente com imagens de pessoas de pele clara.
O Ministério da Saúde apresentou a Central de Comando das UTIs Inteligentes, instalada no Hospital das Clínicas de São Paulo. O sistema acompanha, em tempo real, sinais vitais de pacientes internados em hospitais de Manaus, Recife, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Atualmente, sessenta leitos transmitem dados sobre frequência cardíaca, níveis de oxigênio e pressão arterial 24 horas por dia. A meta é alcançar 280 leitos em catorze instituições do país.








