O venetoclax manteve em níveis mais baixos, por meses, as células infectadas por um vírus semelhante ao HIV em macacos rhesus. O efeito foi observado mesmo depois da interrupção do medicamento, enquanto a terapia antirretroviral continuava sendo administrada.
O resultado faz parte de um estudo da Universidade Emory, nos Estados Unidos, publicado na revista Nature Microbiology na última quinta-feira (3/9). Os pesquisadores compararam a terapia antirretroviral usada sozinha com a combinação entre esse tratamento e o venetoclax.
A associação reduziu mais rapidamente as células T CD4 infectadas. O medicamento bloqueia a proteína Bcl-2, relacionada à sobrevivência celular e também envolvida na manutenção das células infectadas pelo HIV. Com a inibição da proteína, essas células podem ser eliminadas com mais facilidade.
“Eliminar o reservatório viral é uma prioridade na busca pela cura do HIV”, afirmou Mirko Paiardini, autor sênior do estudo. O reservatório é formado por células infectadas que permanecem no organismo mesmo durante o tratamento e podem dificultar a eliminação do vírus.
Os experimentos foram realizados com macacos rhesus após a infecção. Os animais receberam apenas terapia antirretroviral ou a combinação com venetoclax. Os pesquisadores ainda avaliam se períodos mais longos de uso podem ampliar o efeito observado.
Próximas etapas
Dois ensaios clínicos estão em andamento para verificar a segurança e a eficácia do venetoclax em pessoas que vivem com HIV. Os autores ressaltam que os resultados são iniciais e vêm de um modelo animal.
O HIV ataca o sistema imunológico e, sem tratamento, pode evoluir para a aids, estágio mais avançado da infecção. A terapia antirretroviral controla o vírus e pode levar à carga viral indetectável, quando ele não é identificado por testes padrão e não é transmitido.
O tratamento preventivo com profilaxia pré-exposição, a PrEP, e os testes rápidos para HIV são disponibilizados pelo SUS. A transmissão ocorre principalmente por fluidos corporais específicos, durante sexo sem proteção, compartilhamento de seringas e de mãe para filho durante o parto, quando não há assistência adequada. Beijos, suor e sexo com preservativo não transmitem o vírus.








