SÃO PAULO — O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa morreu nesta quinta-feira, 1º, aos 59 anos, menos de dois meses depois de receber o diagnóstico de Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A condição é rara, neurodegenerativa e ainda não tem tratamento estabelecido. O anúncio foi feito pela esposa dele, a empresária Mila Seidl, nas redes sociais.
Lito era criador do canal do YouTube Aviões e Músicas. Em um vídeo de despedida, Mila homenageou o marido. “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre”, diz a legenda da gravação.
Busca por tratamento experimental
Após o diagnóstico, familiares, amigos e seguidores se mobilizaram para tentar encontrar uma opção de tratamento em teste que permitisse a inclusão de Lito entre os voluntários. O Broad Institute, responsável pelo estudo PRiSM Trial, agradeceu as mensagens de apoio e afirmou que tentaria ajudar.
No início do mês passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação e o uso compassivo de um medicamento experimental pelo influenciador. Esse tipo de autorização permite o acesso a uma medicação quando o paciente tem uma doença grave e não há terapias eficazes disponíveis.
A Anvisa e a Receita Federal organizaram uma operação especial para o recebimento da substância. Como o produto era de uso urgente e poderia perder a eficácia, foi transferido para um helicóptero logo após o desembarque e levado diretamente ao Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.
O medicamento começou a ser administrado a Lito e estava em estudo para o tratamento da DCJ. Até então, a substância não havia sido testada em humanos. Na ocasião, Mila disse que ainda não havia respostas sobre os possíveis efeitos do tratamento.
Não foram divulgadas informações sobre as circunstâncias específicas da morte.
Doença de Creutzfeldt-Jakob
A DCJ integra o grupo das doenças priônicas, condições neurodegenerativas raras causadas por príons. Essas partículas surgem quando proteínas normalmente presentes no corpo mudam de formato e se acumulam no cérebro. Em muitos casos, a origem da proteína anormal é desconhecida.
A doença pode provocar demência, perda de memória, falta de coordenação motora, alterações de comportamento, distúrbios visuais, espasmos musculares e dificuldade na fala. Também podem ocorrer perda do equilíbrio motor, insônia, depressão, ataques epiléticos e paralisia facial.
Os sintomas podem ser confundidos com demências e transtornos neurológicos progressivos, como Alzheimer e doença de Huntington. A piora costuma ser rápida e progressiva, com degeneração das habilidades psicomotoras mais acelerada do que em outras demências.
A forma mais comum de DCJ registra 1 ou 2 novos casos por milhão de pessoas a cada ano no mundo. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam 1.576 notificações de casos suspeitos entre 2005 e 2021, com maior frequência nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.






