Lito Sousa, mecânico de aeronaves, piloto e criador do canal Aviões e Músicas, morreu aos 59 anos, na quinta-feira, 1º. Ele havia recebido, menos de dois meses antes, o diagnóstico de Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição rara e sem tratamento.
Com vídeos sobre aviação, segurança, turbulências e acidentes aéreos, Lito ajudou milhares de pessoas a lidar com o medo de voar. A frase “turbulência não derruba avião” se tornou uma das mais associadas ao trabalho dele.
Relatos publicados por seguidores, influenciadores e profissionais mostram que as explicações de Lito eram usadas durante os voos para controlar a ansiedade. A humorista Tata Werneck contou que conseguiu embarcar com a filha depois de anos, após conversar com ele. A jornalista e youtuber Nil Moretto disse que recorria às informações aprendidas com Lito quando sentia medo durante uma intercorrência de voo.
A esposa de Lito, Mila Seidl, também afirmou que os ensinamentos dele a ajudaram a voar sem medo. Outros seguidores relataram que passaram a viajar com mais tranquilidade e que os vídeos despertaram interesse pela profissão de mecânico de aeronaves. Um deles contou que começou a trabalhar na área aos 45 anos.
O streamer Brino, a atriz e influenciadora Maria Bopp e a psicóloga Cecília Dassi também homenagearam Lito. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Força Aérea Brasileira (FAB) lamentaram a morte. Em nota, a Anac destacou a trajetória dele na manutenção aeronáutica e sua contribuição para aproximar o público do setor. “A aviação brasileira perde hoje um de seus grandes divulgadores”, afirmou a agência.
Doença de Creutzfeldt-Jakob
A DCJ integra o grupo das doenças priônicas, condições neurodegenerativas raras causadas por partículas infecciosas proteicas chamadas príons. Essas partículas surgem quando proteínas do corpo alteram sua forma e se acumulam no cérebro.
Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas podem ser confundidos com demências e outros transtornos neurológicos progressivos. O quadro pode incluir perda de memória, falta de coordenação motora, alterações de comportamento, distúrbios visuais, espasmos musculares e dificuldade na fala. A evolução é rápida e progressiva.
A forma mais comum da doença registra 1 ou 2 novos casos por milhão de pessoas a cada ano em todo o mundo. No Brasil, foram registradas 1. 576 notificações de casos suspeitos entre 2005 e 2021.






