Uma revisão de estudos concluiu que as evidências disponíveis não permitem tratar suplementos de colágeno como uma intervenção comprovada contra o envelhecimento da pele. Após a correção dos dados, os pesquisadores não identificaram uma relação significativa entre a quantidade consumida e melhorias na hidratação ou na elasticidade.
Publicado no Journal of Cosmetic Dermatology em 28 de setembro, o trabalho foi assinado pelo bioestatístico David Robert Grimes, do Trinity College Dublin, na Irlanda, e pela dermatologista Anjali Mahto, do Reino Unido. A análise examinou duas meta-análises, publicadas em 2021 e 2023.
Diferenças entre os estudos
Os autores encontraram problemas nas análises estatísticas e na interpretação dos resultados. Em um dos casos, um resultado sem significância estatística foi apresentado como se tivesse importância. A avaliação também reuniu pesquisas com diferenças relevantes entre si: havia participantes jovens e mais velhos, além de variações nas doses e no período de uso.
Em uma das meta-análises, as doses avaliadas variavam de 0,3 a 10 gramas por dia. Alguns produtos ainda combinavam colágeno com outros ingredientes, o que impede determinar se uma eventual mudança na pele foi provocada pelo colágeno ou por outra substância.
A duração dos testes também foi apontada como uma limitação. A maioria dos ensaios clínicos randomizados acompanhou os participantes por apenas oito a 12 semanas. Os autores acrescentaram que muitos estudos receberam financiamento da indústria ou foram conduzidos por cientistas com vínculos comerciais com fabricantes.
Limites das conclusões
O colágeno hidrolisado é formado por peptídeos menores, que facilitam sua dissolução e digestão. Ainda assim, permanece a dúvida sobre quanto do material ingerido chega à pele e produz algum efeito. Pesquisas em animais indicam possíveis ações de fragmentos de colágeno, mas faltam estudos em humanos que confirmem esse mecanismo.
Outro ponto envolve o placebo. Como o colágeno tem sabor e textura próprios, os participantes podem perceber se receberam o suplemento, o que interfere na comparação entre os grupos.
Grimes e Mahto não afirmam que o colágeno não possa produzir nenhum efeito. Eles consideram, porém, que os problemas metodológicos reduzem a confiabilidade das conclusões anteriores. Os pesquisadores defendem estudos mais rigorosos e independentes antes da incorporação desses suplementos à rotina de cuidados dermatológicos.
Também sugerem que a Associação Britânica de Dermatologistas (BAD) e a Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV) publiquem orientações sobre o uso dos produtos enquanto não houver evidências independentes de maior qualidade.








