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Saúde

Trabalho noturno pode afetar insulina, fome e armazenamento de gordura

Refeições na madrugada ocorrem em um período de menor sensibilidade à insulina e podem favorecer alterações metabólicas.

Trabalho noturno pode afetar insulina, fome e armazenamento de gordura

A rotina de trabalho na madrugada pode interferir na ação da insulina, no controle do apetite e no armazenamento de gordura visceral. Refeições feitas nesse período também estão associadas a maior risco de obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares, inclusive entre pessoas que trabalham em escala noturna.

O organismo possui um relógio biológico central, localizado no cérebro, e outros relógios em órgãos como pâncreas, fígado e intestino, explica o endocrinologista Marcio Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP). Esse sistema acompanha um ciclo de 24 horas ajustado pela luz do sol.

Insulina e alimentação

Durante a noite, a glândula pineal libera melatonina, hormônio relacionado ao sono. Nesse período, ocorre uma resistência temporária e fisiológica à insulina, mecanismo que ajuda a evitar quedas de açúcar no sangue durante o jejum noturno.

Quando há ingestão de alimentos nesse horário, a glicose pode ser processada com menos eficiência. O açúcar permanece por mais tempo na corrente sanguínea, favorece picos de glicemia e aumenta a sobrecarga sobre o pâncreas. O excesso de calorias também pode ser armazenado como gordura visceral, acumulada ao redor dos órgãos abdominais.

A mesma refeição pode produzir efeitos diferentes conforme o horário. Segundo Mancini, comer às 3h pode causar prejuízos metabólicos que não ocorreriam se o alimento fosse consumido ao meio-dia. “Ao inverter essa rotina, o indivíduo pode entrar em descompasso com a própria biologia”, afirma.

Sono e fome

A troca de turnos e a falta de sono regular alteram os sinais hormonais ligados à fome e à saciedade. Com menos estímulos de saciedade e mais sinais de apetite, aumenta a tendência de procurar alimentos ricos em gordura e carboidratos refinados.

Anísio Pinheiro, especialista em Medicina do Trabalho, mestre em Patologia e Medicina Legal pela UFC e perito judicial do Tribunal Regional do Trabalho no Ceará, afirma que dormir pouco ou fora de hora aumenta a fome e reduz a sensação de saciedade. Ele também cita a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera o trabalho noturno provavelmente cancerígeno.

Para reduzir os impactos metabólicos, a orientação é fazer a principal refeição antes do início do turno. Na madrugada, as opções indicadas são jejum com água e chás não adoçados ou pequenos lanches, como frutas e castanhas. Também é recomendado interromper a cafeína na segunda metade do turno e usar óculos escuros no caminho de volta para casa pela manhã.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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