SÃO PAULO — Alterações no ciclo menstrual causadas por treino intenso e baixo percentual de gordura corporal costumam ser reversíveis, segundo especialistas. Atletas que desejam engravidar podem ajustar a rotina e reduzir a carga de exercícios por alguns meses, medida que tende a favorecer o retorno da menstruação e da ovulação.
A endocrinologista Roberta Frota, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, afirma que algumas atletas fazem uma pausa nos treinos quando pretendem engravidar. Após a redução da intensidade e a reorganização da rotina, o ciclo menstrual tende a voltar ao normal, permitindo a gestação.
Como o exercício afeta os hormônios
O ginecologista Claudio Severino Jr., do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, explica que a redução do tecido gorduroso interfere na produção hormonal. “Quando você tem um baixo percentual de gordura, há alteração na produção de estrogênio, e isso faz com que a mulher não ovule de maneira regular”, afirma.
A resposta do organismo pode incluir ciclos mais longos, fluxo menstrual menor ou ausência de menstruação. A interrupção associada ao exercício intenso é chamada de amenorreia relacionada ao esforço físico. O quadro ocorre quando o corpo se adapta ao alto gasto energético e às exigências do treinamento.
A situação é mais comum entre atletas de alta performance que combinam treinos intensos, alimentação controlada, pouca gordura corporal e pouco tempo de recuperação. Corredoras, ginastas e bailarinas estão entre os grupos mencionados pelos especialistas. O fenômeno foi observado inicialmente em bailarinas submetidas a períodos de treinamento intenso.
Alimentação também influencia
A alteração não se limita ao esporte. Dietas muito restritivas, perda acentuada de gordura corporal e anorexia nervosa também podem interromper a menstruação. Severino afirma: “A própria alimentação inadequada pode causar alteração do ciclo menstrual. Quando isso se soma ao exercício intenso, o risco aumenta”.
A relação entre alta performance e fertilidade não é inevitável. O equilíbrio entre treino, alimentação e recuperação, com acompanhamento médico e nutricional, é apontado como essencial para reduzir alterações hormonais e preservar a saúde reprodutiva.








