John Ternus deve apresentar na quarta-feira (9) sua primeira leva de produtos como CEO da Apple, incluindo o primeiro iPhone dobrável da empresa. O aparelho deve custar mais de US$ 2.000, enquanto os preços de toda a linha podem subir.
O projeto está em desenvolvimento há pelo menos oito anos na divisão de hardware da Apple. Ternus comandou a área até esta semana e recebeu de Tim Cook, que deixa o cargo, a responsabilidade de liderar o lançamento em sua segunda semana como CEO.
A empresa enfrenta pressão para repassar o aumento de custos da cadeia de suprimentos aos consumidores ou aceitar uma redução das margens. A Apple foi afetada neste ano pela escassez de componentes, especialmente chips de memória, enquanto os data centers ampliaram a demanda por peças. A companhia já aumentou os preços de Macs e iPads.
Mercado de dobráveis
Os celulares dobráveis representam cerca de 2% das vendas globais de smartphones. O crescimento do segmento desacelerou desde que Huawei e Samsung lançaram seus primeiros produtos, em 2019. A Samsung enfrentou problemas com telas que formavam bolhas e ondulações, o que provocou altos índices de devolução. A Huawei adiou seu lançamento naquele ano.
Radu Reit, ex-engenheiro de telas da Apple, afirmou que avanços recentes aumentaram a durabilidade dos displays e reduziram os custos de fabricação. Para ele, a tecnologia já era viável há mais de uma década, mas produzir a tela teria custado milhares de dólares dez anos atrás.
A Apple aposta que seu aparelho possa ampliar o interesse por um formato de nicho e conquistar participação de mercado. Uma patente de 2011 mostra o desenvolvimento de um mecanismo de dobradiça, enquanto equipes de engenharia e telas já testavam a tecnologia em 2018.
Analistas da International Data Corporation projetam que os dobráveis serão o único segmento do mercado de smartphones a crescer em 2026. A expectativa é de aumento anual de cerca de 12% nas vendas globais e de uma participação de 40% para a Apple até 2027.
David Vogt, do UBS, espera que a Apple venda pelo menos 10 milhões de dobráveis no primeiro ano, aproximadamente o mesmo volume vendido pela Samsung nos últimos 12 meses. O número seria pequeno diante dos cerca de 250 milhões de iPhones distribuídos globalmente pela empresa, mas poderia elevar o preço médio dos aparelhos.
A Apple também deve adiar para o primeiro semestre do próximo ano o lançamento do modelo básico do iPhone 18. O dobrável pode ter melhor desempenho na China, onde a Huawei teve sucesso e a Apple vem recuperando participação no mercado de smartphones.








