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Tecnologia

Selfies e conversas com IA podem ampliar exposição de dados pessoais

Especialistas recomendam reduzir a qualidade das imagens, revisar configurações e desativar recursos de memória em ferramentas de IA.

Selfies e conversas com IA podem ampliar exposição de dados pessoais

Imagens enviadas a ferramentas de inteligência artificial podem revelar localização, características faciais e outros dados pessoais, alertam especialistas em ética e privacidade. O risco envolve tanto selfies transformadas por IA quanto conversas mantidas com chatbots sobre trabalho, relacionamentos e interesses.

As fotos com estética dos anos 80 são uma das tendências que atraem novos usuários para serviços de IA generativa. A elas se somam retratos personalizados da infância, versões de pessoas como personagens de fantasia e imagens temáticas para datas comemorativas.

O que as imagens revelam

Catarina Doria, especialista em ética da IA, afirma que essas modas incentivam o envio de imagens próprias e de outras pessoas. Ela chama a prática de “fun for data” (“diversão por dados”, em tradução livre), numa troca de informações pessoais por entretenimento.

Carissa Véliz, professora associada de filosofia no Instituto de Ética em IA da Universidade de Oxford, no Reino Unido, diz que fotografias podem conter metadados de localização e informações biométricas. Características faciais são consideradas especialmente sensíveis porque não podem ser substituídas com facilidade se forem comprometidas.

O envio de várias imagens em alta qualidade, com o rosto claramente visível, pode aumentar a quantidade de informações disponíveis sobre uma pessoa. Quando esses arquivos são combinados com dados fornecidos em conversas com chatbots, podem contribuir para perfis mais detalhados dos usuários.

Também há incerteza sobre os usos futuros dessas informações. Doria e Véliz citam a evolução dos deepfakes como exemplo de tecnologias que podem avançar de maneiras difíceis de prever. Dados compartilhados para uma finalidade aparentemente inofensiva podem contribuir para sistemas mais sofisticados no futuro.

Como reduzir a exposição

Especialistas recomendam evitar a publicação de fotos de crianças, já que elas não podem dar consentimento informado. Também orientam a preferência por imagens de resolução mais baixa, que tendem a revelar menos detalhes biométricos.

Outra recomendação é escolher plataformas consolidadas, com políticas de privacidade mais claras, e revisar as configurações que permitem impedir o uso de conteúdos no treinamento ou aprimoramento de modelos. Recursos de memória desnecessários também podem ser desativados para reduzir a retenção de informações de conversas anteriores.

A OpenAI afirma que confiança e privacidade são pilares de seus produtos e que os usuários podem excluir históricos de conversa. A empresa também informa que o Chat Temporário não salva nem utiliza conversas para treinar seus modelos.

Para Véliz, o uso de inteligência artificial não precisa ser abandonado, mas deve ocorrer com cautela. “Privacidade é poder, porque protege as pessoas contra possíveis abusos”, afirma.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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