O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, delegado Leandro Almada. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (08/09).
Mendonça relacionou o afastamento de Almada à produção de relatórios de inteligência que, segundo ele, teriam ultrapassado as atribuições legais da PF. Os documentos foram citados em uma decisão de Alexandre de Moraes após a divulgação de informações sobre supostas trocas de mensagens entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A decisão não afirma que Almada tenha elaborado ou ordenado pessoalmente a produção dos relatórios. Mendonça, porém, apontou indícios que deverão ser investigados sobre o conhecimento e a eventual participação dos responsáveis pela área de inteligência da Polícia Federal.
Almada ocupa a Diretoria de Inteligência Policial desde 2024. Segundo Mendonça, caberia ao órgão supervisionar a elaboração e a divulgação de documentos produzidos por unidades subordinadas. O ministro também determinou que a Corregedoria da PF apure as circunstâncias da produção dos relatórios.
A permanência dos dois delegados nos cargos, conforme a decisão, poderia interferir nas investigações. Eventuais processos administrativos, dependendo do resultado das apurações, podem levar à expulsão de Rodrigues e Almada da corporação.
Atuação no caso Marielle Franco
Almada ganhou projeção nacional por integrar o grupo de policiais federais criado para investigar a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Ele comandou a chamada investigação sobre o trabalho realizado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro após o crime.
Em 2024, a PF apontou que a Polícia Civil fluminense teria atuado para garantir a impunidade dos autores e mandantes. Os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram apontados como mandantes, e o ex-PM Ronnie Lessa, como executor. A investigação também indicou possível atuação do ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa para dificultar as apurações. Os três negam envolvimento, conforme o caso citado.
Almada comandou a Superintendência da PF no Rio de Janeiro entre 2023 e 2024. Nesse período, a corporação realizou operações de combate ao crime organizado relacionadas à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. Parte das ações atingiu o ex-governador Cláudio Castro.
O afastamento de Almada e Rodrigues está submetido à Segunda Turma do STF. Kássio Nunes Marques e Luiz Fux votaram pela manutenção da medida, que já tem maioria. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.








