Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,13 · Euro R$ 5,95 · Ibovespa 185.147 +0,00% Brasília 18°C 18° / 26°
Economia

Juros longos de até 8% ameaçam investimento e ampliam risco para 2027

Mansueto Almeida avalia que controle do gasto público pode abrir espaço para queda mais rápida dos juros e evitar uma recessão.

Juros longos de até 8% ameaçam investimento e ampliam risco para 2027

O juro real dos títulos públicos de longo prazo está entre 7,5% e 8% ao ano, segundo Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual. Para ele, esse nível encarece o crédito privado, adia investimentos e aumenta a vulnerabilidade de empresas endividadas.

Almeida afirmou durante o evento Money Week 2026, realizado em Balneário Camboriú (SC) no mês de agosto, que o desempenho de 2027 dependerá principalmente da redução da incerteza sobre a dívida pública. Na avaliação dele, fatores internos explicam a maior parte da alta dos juros reais brasileiros nos últimos quatro ou cinco anos, especialmente a expansão do gasto público e a falta de perspectiva para estabilizar a dívida.

Um plano fiscal considerado crível poderia reduzir rapidamente os juros de longo prazo e permitir ao Banco Central acelerar a queda da taxa básica. “Se entrarmos em 2027 com juros altos e não vier um plano de governo mostrando como segurar o crescimento do gasto público, podemos ter um PIB negativo”, afirmou.

Cenários para a economia

No cenário mais favorável, governo e Congresso chegariam a um acordo para desacelerar o avanço das despesas. A atividade cresceria pouco em 2027, mas a queda dos juros reduziria a pressão sobre o orçamento das famílias e prepararia um ciclo de investimento forte a partir de 2028.

Em uma hipótese intermediária, os juros ficariam entre 10% e 10,5%, e o PIB avançaria entre 1% e 2%. No cenário adverso, o aumento contínuo dos gastos provocaria saída de capitais, desvalorização do real, inflação maior e manutenção ou elevação dos juros, com risco de recessão.

O ambiente externo também influencia os juros. Um estudo do BTG Pactual estima que cerca de 40% da alta do juro real brasileiro possa ser explicada pelo movimento das taxas dos Estados Unidos nos últimos quatro ou cinco anos. A economia norte-americana aquecida e a inflação acima da meta levaram o mercado a considerar novos aumentos pelo Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos.

Ainda assim, Almeida disse que o impacto externo pode ser compensado por medidas domésticas de controle do gasto. O dólar passou de cerca de R$ 6,26 no fim de 2024 para R$ 5,20 atualmente, movimento que ele associou à diversificação global de carteiras antes concentradas nos Estados Unidos.

Tarifas, energia e ajuste fiscal

As tarifas americanas sobre produtos brasileiros tendem a afetar mais setores específicos, como calçados, confecção, produtos de madeira e máquinas, do que o PIB agregado. Programas de crédito subsidiado poderiam reduzir parte do impacto imediato, mas o economista defende negociação diplomática e rejeita medidas de retaliação.

No agronegócio, Almeida avalia que o real mais forte reduz a receita das exportações em moeda brasileira, mas também diminui o custo de fertilizantes e outros insumos importados. A China é o principal destino das commodities agrícolas brasileiras, e não os Estados Unidos.

A inteligência artificial e os data centers, segundo o economista, aumentam a importância estratégica da energia. O Brasil tem uma matriz elétrica diversificada e um sistema de transmissão nacional integrado, mas precisa equilibrar a oferta ao longo do dia. Almeida aponta que baterias de armazenamento podem ganhar importância na próxima década.

Para o ajuste fiscal, ele defende desacelerar o crescimento das despesas, em vez de promover um corte abrupto. Entre as possibilidades citadas estão rever vinculações mínimas de gastos municipais em saúde e educação, alterar a indexação de benefícios ao salário mínimo e reduzir regimes tributários especiais sem justificativa econômica.

Almeida afirmou que a carga tributária brasileira alcança 32% do PIB e que o país deve registrar déficit nominal de 9% do PIB neste ano.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5