O reajuste de 15,04% do Bolsa Família terá impacto anual de R$ 22,7 bilhões a partir de 2027. Para o restante de 2026, a despesa prevista é de R$ 5,8 bilhões, com os novos pagamentos começando em 19 de outubro.
O benefício mínimo aumentará de R$ 600 para R$ 691. O valor médio recebido pelas famílias deverá passar de R$ 675 para R$ 777. Atualmente, o programa atende mais de 19 milhões de lares em todo o Brasil.
Pressão sobre o orçamento
O governo afirma que poderá absorver o custo de 2026 usando sobras orçamentárias e remanejamentos, sem desrespeitar as regras fiscais. O valor equivale a quase 20 mil empreendimentos do Novo PAC Saúde, como unidades médicas e ambulâncias. Também seria suficiente para construir 2.500 postos de saúde ou comprar mais de 16 mil ambulâncias do Samu.
A despesa maior ficará para 2027. Como o reajuste não foi incluído no projeto de orçamento enviado ao Congresso, será necessário reduzir gastos em outras áreas para respeitar o limite de despesas. Para cumprir as metas fiscais, o governo poderá contingenciar até R$ 57,7 bilhões no próximo ano.
Sem uma redução efetiva das despesas correntes, aumentaria o risco de recurso a manobras contábeis ou à elevação da arrecadação para equilibrar as contas públicas.
Regras e questionamentos
Para participar do programa, a família deve ter renda mensal de até R$ 218 por pessoa. Pela regra de proteção, quem passar a ganhar mais poderá continuar recebendo metade do auxílio por até um ano, desde que a renda por pessoa não ultrapasse R$ 706.
Economistas questionam o momento do anúncio, feito às vésperas da eleição. A avaliação é que a inflação acumulada poderia ter levado à correção desde o início do ano, distribuindo o efeito sobre o poder de compra ao longo do calendário. O início dos pagamentos uma semana antes do segundo turno também gerou questionamentos sobre possível uso político do programa.








