A mostra “1976 – 50 Anos Depois” começa na quarta-feira, dia 9, na Cinemateca Brasileira, com uma sessão ao ar livre de “Carrie, a Estranha”, dirigido por Brian de Palma. A programação reúne filmes brasileiros e estrangeiros realizados em 1976 e atravessados por conflitos ligados à sexualidade, à repressão, à violência, à política e ao enfraquecimento das utopias de 1968.
O filme de abertura acompanha Carrie, estudante discriminada e humilhada por colegas, enquanto sua mãe representa uma forma radicalizada de fé religiosa. A obra coloca em choque a liberdade sexual ampliada desde 1968 e práticas de perseguição entre jovens.
“Taxi Driver”, de Martin Scorsese, também integra a seleção. O protagonista, Travis, é um motorista de táxi que tenta impor uma ideia de pureza em Nova York e decide salvar uma prostituta de 12 anos. A tensão entre sexualidade e puritanismo conduz a trajetória do personagem, marcada pelos fantasmas da guerra no Vietnã.
Em “Império dos Sentidos”, Nagisa Oshima apresenta um casal de amantes consumido pelo sexo enquanto o militarismo japonês cresce às vésperas da Segunda Guerra. Já “Jonas, que Terá 25 Anos no Ano 2000”, de Alain Tanner, reúne personagens perplexos e perdidos no mundo.
A programação inclui ainda “Deserto dos Tártaros”, de Valerio Zurlini; “1900”, de Bertolucci; “O Último Pistoleiro”, de Don Siegel; e “O Último Magnata”, de Elia Kazan. Os dois últimos tratam de um sentimento de encerramento: um acompanha um velho cowboy em seus últimos dias, e o outro evoca Irving Thalberg por meio de Monroe Stahr.
Entre os filmes estrangeiros estão também “O Inquilino”, de Polanski, sobre o deslocamento e a sensação de estranhamento, e “Coração de Vidro”, de Werner Herzog, centrado na obsessão pela perfeição entre fabricantes de cristal.
Produção brasileira
No Brasil, a mostra aborda os efeitos do Ato Institucional 5, a censura e o esmagamento dos movimentos de resistência armada. Em “Aleluia Gretchen”, Sylvio Back aproxima o regime militar brasileiro do nazismo ao narrar a saga de imigrantes alemães no Sul do país.
A seleção traz “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, com Zezé Motta no papel principal, e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, dirigido por Bruno Barreto a partir do romance de Jorge Amado. O segundo filme acompanha o triângulo amoroso entre Flor, seu novo marido e o espírito de Vadinho.
Também estão no ciclo “Inferno Carnal”, de José Mojica Marins, e “Bacalhau”, de Adriano Stuart, paródia de “Tubarão”, de Spielberg, com elementos sexuais característicos da pornochanchada. O curador da mostra é Paulo Sacramento.
A programação dedicada aos filmes de 1976 é apresentada como um dos pontos altos do cinema de 2026.








