ARGENTINA — O governo de Javier Milei anunciou o início de um programa que permitirá a estrangeiros solicitar a cidadania argentina mediante investimentos no país. Os pedidos serão recebidos entre este mês de outubro e dezembro deste ano.
Na primeira modalidade, o interessado deverá contribuir com US$ 350 mil ao Tesouro argentino. O valor, equivalente a cerca de R$ 1,9 milhão na cotação mais recente, não será devolvido.
A segunda opção exige um investimento de US$ 800 mil, aproximadamente R$ 4,3 milhões, em um título público criado para o programa. O período de manutenção da aplicação ainda será definido pelas autoridades argentinas.
Valores para famílias
A inclusão de familiares aumenta o custo. O cônjuge e filhos solteiros de 18 a 25 anos, sem filhos, acrescentam US$ 100 mil cada ao pedido. Para menores de 18 anos, a cobrança adicional será de US$ 25 mil por pessoa.
Um casal com dois filhos menores pagará US$ 500 mil, cerca de R$ 2,7 milhões, caso escolha a contribuição ao Tesouro.
O programa foi apresentado pelo ministro da Economia, Luis Caputo. Mesmo depois do investimento, os candidatos terão de passar por verificações de antecedentes e controles de segurança antes da concessão da cidadania.
O governo argentino afirma que a iniciativa busca atrair capital estrangeiro e ampliar a entrada de dólares na economia. Consultorias envolvidas na estruturação estimam que o programa possa levantar até US$ 2,5 bilhões.
A Argentina tem quase US$ 25 bilhões em pagamentos de dívida em moeda estrangeira previstos para 2027. O país também enfrenta compromissos elevados de dívida externa nos próximos anos.
A iniciativa é semelhante ao Trump Gold Card, dos Estados Unidos. O programa permite residência permanente após uma contribuição de US$ 1 milhão ao governo e o pagamento de uma taxa de US$ 15 mil. Na Argentina, porém, a proposta prevê cidadania, enquanto o programa americano concede inicialmente residência permanente.








