O bispo auxiliar da Arquidiocese de Abuja, na Nigéria, Anselm Umoren, alertou que notificações, redes sociais e interações online podem reduzir o silêncio necessário para a oração e o discernimento espiritual.
Durante a sétima assembleia geral anual da Arquidiocese de Abuja, realizada sob o tema “Fé Cristã e a Tecnologia de Comunicação em Evolução”, Umoren afirmou que a tecnologia digital deve apoiar, e não substituir, o relacionamento com Deus, os vínculos humanos e a vida sacramental.
O bispo disse que o ambiente digital estimula a comunicação constante, com reações imediatas a assuntos em alta, compartilhamentos e opiniões. Para ele, esse comportamento pode deixar pouco espaço para a contemplação. “A tecnologia não deve tirar nossa capacidade de contemplação”, afirmou.
Umoren também apontou um contraste entre a conectividade tecnológica e a solidão. Ter milhares de amigos e seguidores online, segundo ele, não garante relações significativas nem a presença de pessoas próximas em momentos de dificuldade. “A fé cristã é sobre relacionamento”, disse.
Tecnologia e vida sacramental
O bispo considerou o ciberespaço um novo território de missão e afirmou que ferramentas digitais podem ajudar na comunicação, na pesquisa, na educação e na evangelização. Ele ressaltou, porém, que a inteligência artificial não pode substituir o relacionamento pessoal com Jesus Cristo, a oração ou o encontro entre a pessoa e Deus.
Umoren reconheceu o valor pastoral das missas transmitidas ao vivo para pessoas doentes, idosas, hospitalizadas ou impedidas de ir à igreja. Também afirmou que a transmissão não substitui a reunião física da comunidade ao redor do altar nem a participação plena nos sacramentos.
Segundo o bispo, a Igreja deve orientar os jovens não apenas a reduzir o uso dos telefones, mas a utilizar a tecnologia de forma responsável e voltada à evangelização. Ele defendeu ainda o desenvolvimento do pensamento crítico e do discernimento diante do grande volume de informações disponíveis online.








