Uma análise publicada nesta quinta-feira (10) afirma que o caso Banco Master pode comprometer a confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) e na democracia. O texto também aponta que a crise ocorre às vésperas das eleições de outubro e pode fortalecer aliados de Jair Bolsonaro no Congresso.
Alexandre de Moraes aparece no centro das críticas por causa de suas relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e da forma como reagiu ao avanço das investigações. Entre os pontos citados estão o contrato entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e uma suposta segunda negociação mencionada em relatório da Polícia Federal, envolvendo acesso a um avião particular e a um helicóptero ligados a uma empresa da qual Vorcaro foi sócio.
Também foram mencionadas mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes pelo WhatsApp. A frequência dos contatos teria aumentado antes da prisão do banqueiro, quando ele tentava deixar o país. Moraes nega ter cometido irregularidades.
A análise ainda critica a resistência de Moraes à proposta de Edson Fachin, presidente do STF, para criar um código de ética para os ministros. A iniciativa incluía regras de transparência sobre rendimentos obtidos fora da atividade no tribunal. O texto afirma que Moraes “zombou da ideia”.
Outro ponto citado foi o pedido de Moraes para investigar criminalmente André Mendonça, relator do caso Banco Master, no inquérito das fake news. O ministro acusou Mendonça de abuso de autoridade pela divulgação de mensagens entre ele e Vorcaro. Fachin absorveu o pedido, retirou o caso do inquérito e defendeu o encerramento do procedimento.
A análise também retoma críticas às decisões de Moraes no inquérito das fake news, incluindo ordens para retirar das redes sociais contas de apoiadores de Bolsonaro. O procedimento permanece aberto e parte do conteúdo segue sob sigilo.
O texto afirma ainda que o inquérito foi usado diante de acusações contra integrantes do próprio STF. Entre os episódios citados está o caso do jornalista maranhense Luís Pablo, alvo de Moraes junto com uma fonte após publicar reportagens sobre o suposto uso de carros oficiais por familiares do ministro Flávio Dino.
A avaliação é de que eventuais irregularidades no caso Banco Master podem gerar argumentos para anular ou encerrar partes da investigação, beneficiando integrantes do STF e políticos que mantiveram relações com Vorcaro. Também afirma que a confiança antes obtida pelo tribunal está se desgastando e conclui: “O maior perdedor seria a democracia brasileira”.








