WASHINGTON — Donald Trump classificou a carne brasileira como de “boa qualidade” nesta sexta-feira (4), durante um ato na Casa Branca. O presidente dos Estados Unidos anunciou medidas para ampliar a concorrência no processamento de carne, facilitar a atuação de pequenos frigoríficos e produtores e fortalecer a indústria doméstica.
Trump também citou o Brasil entre os fornecedores estrangeiros e afirmou que a carne brasileira passa por inspeções antes de entrar no mercado americano.
Para aumentar a oferta, o governo ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que pode ser importada pelos Estados Unidos dentro de uma cota com tarifa reduzida. O volume será dividido em três etapas de 100 mil toneladas entre setembro e novembro. A Casa Branca espera que o produto vendido por essa cota custe cerca de 25% menos que os preços atuais.
Impacto para o Brasil
Os Estados Unidos foram o segundo maior destino da carne bovina brasileira entre janeiro e julho deste ano, atrás apenas da China. No período, os americanos compraram 233,8 mil toneladas, alta de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025. Em julho, foram 28,9 mil toneladas.
A carne brasileira enviada acima da cota regular estava sujeita, até agora, a uma tarifa de aproximadamente 26%. A ampliação da cota pode reduzir o peso das tarifas e aumentar os embarques para os Estados Unidos.
A medida foi anunciada após contatos recentes entre Trump e Joesley Batista, um dos controladores da JBS. O empresário esteve no Salão Oval em 20 de agosto e defendeu que uma maior entrada de carne brasileira poderia ajudar a reduzir os preços americanos caso a tarifa sobre as importações acima da cota fosse diminuída.
A JBS também controla operações nos Estados Unidos. A Pilgrim’s Pride, empresa americana do grupo, doou US$ 5 milhões ao comitê responsável pela posse de Trump em 2025.
Oferta americana e restrição europeia
Os Estados Unidos enfrentam uma redução do rebanho, que chegou ao menor nível em cerca de 75 anos. Secas, incêndios e restrições à entrada de animais do México contribuíram para a queda da oferta. O Departamento de Agricultura prevê recuo de cerca de 4% na produção americana de carne bovina neste ano em relação a 2025.
A abertura do mercado americano ocorre enquanto a União Europeia mantém suspensa a entrada de carne e outros produtos de origem animal do Brasil. O bloco tomou a decisão nesta quinta-feira (3), após afirmar que não recebeu garantias suficientes sobre o cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. O governo brasileiro contesta a medida e ameaça adotar reciprocidade caso as negociações com Bruxelas não avancem.








