A investigação sobre suspeitas envolvendo contratos da Furnas Centrais Elétricas passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso foi distribuído na quinta-feira (17) ao ministro André Mendonça e chegou à Corte em 28 de agosto, após passar pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
As apurações apontam Eduardo Cunha como destinatário final de valores que teriam sido obtidos por meio de propina. Em delação premiada, o doleiro Lúcio Funaro afirmou que Benjamin Katz negociava e recebia os pagamentos, enquanto Cunha distribuiria o dinheiro entre integrantes de seu grupo político.
Suspeitas envolvendo a Engevix
Funaro também relatou uma suposta retaliação contra a Engevix Engenharia, que teria deixado de pagar o valor exigido. Cunha teria passado a atuar contra os interesses da empresa em áreas sob sua influência. Os contratos da Engevix com Furnas somavam R$ 177 milhões.
Em outra delação, apresentada em 2016, José Antunes Sobrinho, então sócio da Engevix, afirmou que a empresa teria obtido novos negócios com Furnas após pagar R$ 1 milhão a Cunha e R$ 2,5 milhões ao PL, chamado de PR na época.
Cunha negou as acusações e as classificou como falsas, desafiando qualquer pessoa a provar que ele havia se encontrado com os envolvidos.
Os documentos também mencionam uma ordem de Katz para remeter US$ 2 milhões da Odebrecht e US$ 650 mil de outros clientes às Ilhas Cayman por meio de dólar-cabo, mecanismo clandestino de compensação financeira para operações internacionais sem controle oficial do Banco Central.
Trajetória do caso
A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro abriu, em 2019, uma frente para aprofundar as suspeitas sobre Furnas. Em julho de 2022, o procurador Rodrigo Golívio Pereira entendeu que a investigação não deveria permanecer na Justiça Federal, porque Furnas é uma sociedade de economia mista sem interesse da União que justificasse essa competência. O procedimento foi enviado ao MPRJ.
Em maio de 2026, o juiz Renan de Freitas Ongaratto considerou o entendimento do Supremo sobre foro privilegiado e determinou o envio do caso à Corte, pois os fatos atribuídos a Cunha teriam ocorrido durante seu mandato de deputado federal.
A defesa de Eduardo Cunha foi procurada. Benjamin Katz não foi localizado, e permanece aberta a possibilidade de manifestação.








