A divulgação de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ampliou a pressão política e jurídica sobre o caso Banco Master. As conversas também envolveram o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e provocaram novos questionamentos sobre a atuação das autoridades.
A comparação com a Operação Lava Jato aparece no debate político e jurídico por causa das cifras bilionárias, da influência atribuída aos envolvidos e do impacto sobre o poder público. O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, relacionou o caso atual a supostos abusos cometidos por autoridades de Curitiba, como o uso de prisões preventivas para pressionar investigados a fechar delações.
Investigações em ritmos diferentes
A Lava Jato avançou simultaneamente na primeira instância e nos tribunais superiores. Em Curitiba, as autoridades dividiram denúncias e processos nos primeiros estágios, e já havia réus condenados meses depois da primeira fase, em 2014. Para críticos, os resultados dificultaram a anulação posterior dos processos pelas instâncias superiores.
No caso Master, ainda não há acusações formalizadas contra os envolvidos, um ano depois de o escândalo vir a público. A investigação também permanece mais concentrada em Daniel Vorcaro e em seus auxiliares imediatos. A Lava Jato, por outro lado, atingiu as maiores empreiteiras do país e produziu uma sequência de delações que gerou um efeito dominó.
Alguns personagens aparecem nos dois episódios. O senador Ciro Nogueira, o ex-presidente do PSDB Marconi Perillo e o ex-ministro Guido Mantega tiveram envolvimento em situações relacionadas aos dois casos. Os três negam irregularidades.
Pressão sobre o Supremo
O caso Master criou um constrangimento para o STF com revelações sobre o escritório de advocacia da família de Moraes. O episódio também incluiu a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso, em fevereiro.
A atuação do Ministério Público é outro ponto de contraste. Na Lava Jato, o então procurador-geral Rodrigo Janot respaldou uma força-tarefa que ganhou projeção própria e impulsionou a carreira política de Deltan Dallagnol. No caso Master, Paulo Gonet não viu motivos, até agora, para investigar ministros do Supremo e se opôs à segunda prisão de Vorcaro, em março.
Depois de aparecer nas mensagens trocadas pelo banqueiro, Gonet pediu a nulidade de um relatório da Polícia Federal sobre os diálogos envolvendo Moraes e afirmou haver abuso de autoridade por parte do ministro André Mendonça.
Efeito eleitoral e mudança de ambiente
Os dois casos têm impacto político expressivo. A Lava Jato foi tema central das eleições de 2014 e 2018. Depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-executivo da Petrobras, foram divulgados durante o segundo turno de 2014. Em 2018, trechos da delação de Antonio Palocci tiveram o sigilo retirado pelo então juiz Sergio Moro dias antes do segundo turno.
No caso Master, o episódio Dark Horse é apontado como principal problema político para o presidenciável Flávio Bolsonaro. A operação que atingiu o senador Jaques Wagner também alimenta especulações sobre os efeitos de novas revelações na reta final da campanha.
O ambiente, porém, mudou. A Lava Jato inspirou série de televisão, filmes, personagem de novela e marchinha de Carnaval, levou manifestantes às ruas, criou uma bancada no Congresso e estimulou uma campanha por mudanças na legislação. No caso Master, não há o mesmo clamor por punição nem a expectativa de que processos judiciais, sozinhos, reformem a política do país.








