A Corregedoria da Polícia Federal deverá investigar quem determinou, produziu e participou da elaboração de relatórios de inteligência que analisaram a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e do advogado-geral da União, Jorge Messias. A medida foi determinada pelo próprio ministro em decisão desta 3ª feira (8.set.2026).
Mendonça também ordenou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Para o ministro, a permanência dos dois nos cargos poderia comprometer a apuração, pois eles têm acesso a informações, sistemas e funcionários da corporação.
O que será investigado
De acordo com a decisão, pelo menos 6 documentos foram produzidos de 3 a 31 de agosto. Os relatórios tratavam da atuação de Mendonça no STF, da conduta de Messias, de decisões judiciais e da atuação de integrantes do Judiciário e da própria PF.
O ministro afirmou que os documentos indicam “monitoramento e coleta dirigida” dele e do advogado-geral da União por mais de 30 dias. Também classificou o material como uma espécie de “arapongagem institucional”.
Mendonça disse que os arquivos não apresentam características de relatórios regulares de inteligência. Segundo ele, são documentos “apócrifos”, sem timbre ou elementos gráficos que permitam confirmar autoria e data de elaboração.
Os próprios relatórios classificavam o conteúdo como de “difusão restrita” e “documento de trabalho”, além de informarem que não tinham valor probatório. O material também indicava “confiança agregada baixa” e dizia que as conclusões se baseavam em cadeias inferenciais e prognoses subjetivas.
Suspensão dos relatórios
A investigação da Corregedoria deverá apurar quando os documentos foram feitos e se existem outros semelhantes. A decisão também suspendeu a produção, a elaboração e o compartilhamento, inclusive interno, de relatórios destinados a analisar atos praticados no exercício das funções constitucionais de magistrados, da advocacia pública e da polícia judiciária.
Um dos documentos teria analisado a decisão da Advocacia-Geral da União de não recorrer de decisões relacionadas às operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”. O relatório teria especulado sobre uma possível relação dessa postura com a intenção de preservar uma “relação política com o relator” e incluído análises sobre os perfis político e religioso de Mendonça e Messias.
A decisão ainda será analisada pela 2ª Turma do STF. Mendonça pediu ao presidente do colegiado, ministro Luiz Fux, uma sessão virtual extraordinária nesta 3ª feira (8.set), das 10h às 23h59, para referendar as medidas.







