SÃO PAULO — A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou buscas e apreensões em endereços ligados ao deputado federal Mário Frias e à empresária Karina Ferreira da Gama. As medidas ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal durante a Operação Make Up, da Polícia Federal.
Dino também proibiu o contato entre os investigados e determinou a apreensão dos passaportes de Frias e Karina, entre outras pessoas. A decisão menciona o risco de saída do país para obstrução das investigações.
Emendas e entidades
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou suspeita de desvio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC). As duas organizações são presididas por Karina Ferreira da Gama.
Segundo a investigação reproduzida na decisão, Frias integraria o núcleo político dos fatos apurados e manteria relação com pessoas e empresas beneficiadas pelos recursos públicos. Karina é descrita como responsável pela gestão das entidades e como elo entre as organizações e os fornecedores contratados.
A apuração também cita o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo deputado. O documento registra que os rendimentos mensais de Frias seriam de R$ 44.008,52 e questiona a capacidade financeira para realizar transferências à empresa em menos de sessenta dias.
A Go Up, de propriedade de Karina e responsável pelo filme “Dark Horse”, teria movimentado R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. As filmagens ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, período que coincidiu com as movimentações analisadas.
Outros contratos investigados
A Polícia Federal também apura um contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo para oferecer internet wi-fi gratuita. Conforme a investigação, os recursos poderiam ter sido usados em contratações com indícios de simulação, pagamentos sem comprovação suficiente e fornecedores com vínculos pessoais, políticos ou comerciais com o núcleo investigado. Parte do dinheiro teria custeado advogados de Mário Frias.
Em meados de agosto, Dino autorizou o compartilhamento, com a Polícia Federal, de dados de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o contrato. A apuração relaciona o caso ao suposto desvio de emendas e aponta a possibilidade de atuação coordenada para captar, distribuir e ocultar recursos públicos.
O financiamento de “Dark Horse” também é alvo de outro inquérito, envolvendo Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Segundo a investigação, ele teria direcionado recursos a pedido do senador Flávio Bolsonaro. O senador reconheceu ter cobrado dinheiro, mas afirmou que se tratava de contrato privado sem uso de recursos públicos.









