SÃO LUÍS — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou na 6ª feira (11.set.2026) que tem tido dificuldades para dormir diante do momento vivido pela Corte. A declaração foi feita durante uma palestra na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís.
Dino contou que chegou à capital maranhense por volta das 2h, depois de um atraso no voo. Segundo ele, foi dormir às 4h, mas não conseguiu descansar por causa das preocupações.
“Eu queria dormir e minha cabeça não deixava. E eu dizia: ‘Vamos dormir’. E ela dizia: ‘Como que dorme com um barulho desse?’”, afirmou.
Sem mencionar episódios específicos, o ministro disse que o Supremo enfrenta dificuldades. “Todo mundo sabe as dificuldades que a gente está vivendo”, declarou.
A tensão no STF aumentou em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo de documentos da Polícia Federal. Os arquivos mostraram conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e levaram Mendonça a pedir que o plenário avaliasse a possibilidade de investigar Moraes.
Em 3 de setembro, Moraes pediu a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade. Dois dias depois, o presidente do STF, Edson Fachin, passou a conduzir os procedimentos relacionados ao embate entre os ministros.
Em 8 de setembro, Mendonça afastou cautelarmente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao questionar a produção de um relatório de inteligência. No dia seguinte, Dino determinou o retorno de Rodrigues ao cargo. Fachin suspendeu as duas decisões e manteve o chefe da PF na função.
Fachin marcou para 3ª feira (15.set) a análise do caso envolvendo Moraes. O pedido de investigação contra Mendonça será julgado em 23 de setembro.
Na palestra, realizada na universidade onde foi professor, Dino comparou o retorno à instituição à sensação de estar em uma “cama quentinha”.








