A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirma ter identificado 499 conteúdos apagados por André Janones (Rede-MG) do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne mais de 4 milhões de seguidores e apoia a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a campanha, as exclusões explicariam por que a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou possíveis fake news nas publicações analisadas entre 2 e 11 de outubro. A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do tribunal informou, na 2ª feira (12.out.2026), que não havia localizado conteúdos que justificassem a suspensão do canal.
Mensagens apagadas
O levantamento apresentado pela campanha reproduz mensagens que, segundo a defesa de Flávio, imputavam crimes ao ministro do TSE André Mendonça e afirmavam que o candidato reduziria aposentadorias e extinguiria benefícios sociais, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada).
As mensagens também mostram, segundo a campanha, uma dinâmica de mobilização: Janones publicava uma notícia, orientava os inscritos a compartilhá-la no WhatsApp e em outras redes e depois eliminava a publicação original. Em 11 de outubro de 2026, ele escreveu: “Sempre que vocês cumprirem uma missão curta, como essa, eu vou deletar para não poluir aqui, ok?”
O canal foi criado por Janones para divulgar mensagens favoráveis a Lula e contrárias a Flávio. Os dois disputam o 2º turno da eleição presidencial.
Disputa judicial
Em 7 de outubro, a defesa de Flávio apresentou ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva uma Aije contra Janones, Lula e Geraldo Alckmin (PSB). A ação apontou abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação, além de pedir a suspensão do canal.
Em 10 de outubro, Cueva determinou que os investigados se manifestassem em 5 dias. No mesmo dia, a campanha apresentou à Presidência do TSE um pedido de providências contra a Meta, responsável pelo WhatsApp, e Janones.
No domingo (11.out), o ministro Kassio Nunes Marques determinou a suspensão do canal pela Meta em 3 horas. Depois, Cueva ordenou o restabelecimento provisório do “Exército de Lula” até a análise do caso pelo plenário do TSE.
A equipe de enfrentamento à desinformação do tribunal também registrou práticas de mobilização coordenada e amplificação de conteúdos. De acordo com a informação técnica, a exclusão e a edição de mensagens dificultam a reconstituição do histórico do canal.








