A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) abriu nesta terça-feira (8) um procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório Barci de Moraes, ligado à família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida considera informações reunidas em relatório da Polícia Federal, tornado público pelo ministro André Mendonça no último dia 1º. O presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Siqueira, comunicou a decisão durante uma sessão extraordinária do Conselho Pleno da entidade.
O procedimento envolve Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro; os filhos do casal, Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes; Ana Claudia Consani de Moraes, casada com Leonardo de Moraes, irmão de Alexandre de Moraes; e Fernanda Fritoli.
A Polícia Federal identificou mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O escritório da família do ministro firmou um contrato de cerca de R$ 130 milhões com o banco para prestar consultorias durante três anos. Também foi localizado um contrato de R$ 50 milhões, assinado em maio de 2025 entre a Vikings Participações, empresa ligada ao ex-banqueiro, e o escritório.
Outro procedimento
A OAB-DF também determinou a abertura de investigação contra o advogado Ciro Soares. Ele foi apontado pela Polícia Federal como possível intermediário de contatos entre Vorcaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Mendonça.
Em nota, a OAB-DF informou que os dois procedimentos tramitarão sob sigilo e não representam antecipação de culpa. A entidade afirmou que serão assegurados o contraditório, a ampla defesa e as demais garantias processuais e constitucionais.
O escritório Barci de Moraes disse lamentar que questões já analisadas e arquivadas pela Procuradoria-Geral da República sejam usadas em contexto eleitoral na OAB-DF. A defesa pediu que Paulo Maurício Braz Siqueira reveja suas declarações e faça os esclarecimentos necessários.
Paulo Maurício Siqueira afirmou que a advocacia não pode ser usada para a prática de crimes e que a entidade tem o dever de apurar os fatos. A OAB-DF informou ainda que outros casos com elementos de prova também poderão ser analisados.








