O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão foi tomada na 3ª feira (8.set.2026), na Petição 16.662, relatada pelo próprio ministro.
Mendonça usou como fundamento duas decisões relatadas pela ministra Cármen Lúcia. Os precedentes tratam dos limites para a produção e o compartilhamento de informações por órgãos públicos e aparecem nos itens 43 e 46 de uma decisão de 33 páginas.
O caso envolve um relatório de inteligência da PF sobre a atuação de Mendonça. Conforme a decisão, a corporação teria monitorado sua atuação no Supremo e elaborado avaliações sobre decisões judiciais, integrantes da Advocacia Geral da União e policiais federais. Alexandre de Moraes teria usado um relatório de inteligência para pedir a abertura de investigação contra Mendonça.
Na primeira referência, o ministro menciona a ADPF 722, julgada pelo plenário do STF em 2022. O julgamento estabeleceu limites para a produção e o compartilhamento de informações sobre cidadãos. Mendonça reproduziu o entendimento de que atividades de inteligência não podem ser usadas para perseguir opositores ou promover o aparelhamento político do Estado.
A segunda citação trata da ADI 6.529, também relatada por Cármen Lúcia e julgada pelo plenário em 2021. A decisão reconhece que o intercâmbio de informações entre órgãos públicos pode ser legítimo quando voltado à defesa das instituições e dos interesses nacionais, mas veda o uso para interesses pessoais ou para desvirtuar competências legais.
Mendonça afirma que, conforme os fatos descritos na decisão, a produção de relatórios dentro da PF pode ter ultrapassado os limites legais da atividade. Entre os documentos mencionados estão materiais sobre a atuação do próprio ministro e do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Julgamento no STF
As referências a Cármen Lúcia têm peso no julgamento sobre a eventual abertura de uma investigação formal contra Alexandre de Moraes, relacionado ao caso de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Mensagens encontradas no celular do banqueiro revelaram contatos entre os dois.
Mendonça, Edson Fachin, Luiz Fux e Nunes Marques são considerados favoráveis à investigação. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são contrários. Cármen Lúcia ainda não definiu seu voto.
Mendonça pediu que o caso seja analisado pelo plenário. Edson Fachin deverá marcar a sessão depois das manifestações dos envolvidos.








