A recuperação de serviços de internet pode depender de distribuidoras de energia, prefeituras, concessionárias de rodovias e órgãos públicos quando eventos climáticos atingirem simultaneamente postes, vias e cabos de fibra óptica. A avaliação é da Abrint, que representa provedores de internet e telecomunicações.
O diretor-presidente da entidade, Breno Vale, defende protocolos integrados, canais emergenciais de comunicação e critérios para definir prioridades durante os reparos. Segundo ele, a atuação isolada das empresas não garante a continuidade do serviço quando diferentes estruturas são danificadas ao mesmo tempo.
Dependência da rede elétrica
Os provedores operam em âmbito local ou regional e, na maioria das vezes, usam os mesmos postes das distribuidoras de energia. Em tempestades e vendavais, a queda de postes pode romper cabos elétricos e fibras ópticas, além de impedir o acesso das equipes de telecomunicações até que o risco elétrico seja eliminado e a estrutura seja liberada.
Vale afirma que essa dependência pode atrasar a recomposição dos serviços. Mesmo com técnicos, veículos, fibras e equipamentos disponíveis, o provedor pode ficar impossibilitado de iniciar o reparo enquanto a distribuidora não substituir os postes danificados.
As empresas também constroem rotas alternativas para manter o tráfego quando há rompimento de cabos. A estratégia, porém, pode ser afetada quando tempestades, enchentes ou deslizamentos atingem a rota principal e as alternativas na mesma área, em corredores urbanos compartilhados ou dependentes da mesma infraestrutura.
Medidas de prevenção
A formação do Super El Niño aumenta a possibilidade de impactos sobre a infraestrutura de transmissão de dados e conexão à internet. O setor prevê, ao menos até fevereiro, episódios de tempestades, vendavais, enchentes, deslizamentos, secas e queimadas.
No Sul e no Sudeste, chuvas excessivas e ventos fortes podem danificar antenas e redes instaladas em postes. No Norte e no Nordeste, a seca eleva a possibilidade de queimadas em áreas próximas a rodovias, com risco para cabos de fibra óptica e estruturas de transmissão.
A Conexis informou que o setor investiu R$ 36,3 bilhões em modernização e ampliação de redes em 2025. Entre as medidas adotadas estão monitoramento meteorológico, identificação de áreas críticas, manutenção preventiva, gestão de rede, análise de dados, inteligência artificial e acompanhamento em tempo real.
Os provedores também ampliam estoques de cabos e equipamentos em áreas de risco, organizam escalas emergenciais e fazem inspeções preventivas. Outras ações incluem rotas alternativas, redes em anel, baterias, geradores, monitoramento remoto e atendimento prioritário a hospitais, defesa civil e outros serviços essenciais.
A Abrint afirma que a recuperação exige coordenação entre distribuidoras de energia, empresas de telecomunicações, prefeituras, concessionárias de rodovias, defesa civil e demais órgãos públicos. Para a entidade, o compartilhamento de informações pode acelerar os reparos nas infraestruturas elétrica e de telecomunicações.








