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Política

Umidade baixa pode agravar estresse de espécies amazônicas durante o El Niño

Ar seco aumenta a perda de água e pode dificultar as trocas gasosas de anfíbios e peixes que respiram pela pele.

Umidade baixa pode agravar estresse de espécies amazônicas durante o El Niño

A umidade relativa do ar muito baixa pode impor riscos adicionais a anfíbios e a peixes capazes de sobreviver temporariamente fora d’água. O ar seco acelera a evaporação na superfície do corpo, dificulta a manutenção da hidratação e pode prejudicar as trocas de gases realizadas pela pele.

O alerta ocorre enquanto o El Niño de 2026 se fortalece. O NOAA estima em mais de 90% a chance de o fenômeno se tornar muito forte nos próximos meses. Na bacia amazônica, o evento está associado a estiagens severas, redução do nível dos rios e impactos sobre a biodiversidade.

Em Manaus, o Inmet registrou 37,3ºC em 31 de agosto, a maior temperatura do ano até aquele momento. Agosto também teve pouca chuva e umidade abaixo dos padrões locais. Em 10 de agosto, a umidade relativa chegou a 41%, o menor valor anual registrado até então.

Como a secura afeta os anfíbios

Sapos, rãs e pererecas têm pele fina, permeável e vascularizada. Por ela, absorvem água, regulam parte dos sais do organismo e realizam trocas de oxigênio e dióxido de carbono (CO2). Uma camada de muco ajuda a manter a superfície hidratada, proteger contra microrganismos e reduzir a evaporação.

Com a queda da umidade, aumenta a diferença entre o vapor de água junto ao corpo do animal e o presente no ambiente. A perda de água se intensifica, o equilíbrio entre água e sais pode ser alterado e a difusão de gases pode perder eficiência.

Os anfíbios costumam buscar áreas frescas e úmidas. Também podem recuperar água pelo contato da pele com superfícies úmidas, principalmente pelo ventre. Quando o solo seca, porém, essa reposição deixa de ocorrer e o animal pode passar a perder água para o substrato.

Risco também para peixes fora d’água

Algumas espécies da família Rivulidae, que inclui os peixes-das-nuvens, conseguem permanecer temporariamente fora da água, sobre folhas ou outras superfícies úmidas. Nesses períodos, a pele pode participar das trocas gasosas, o que favorece a sobrevivência em poças rasas, locais com pouco oxigênio ou ambientes que secam regularmente.

A secura pode reduzir o tempo de sobrevivência fora d’água. Ao mesmo tempo, a estiagem e o calor diminuem o volume dos ambientes aquáticos, elevam a temperatura da água e podem reduzir a disponibilidade de oxigênio.

O Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas registrou, em 22 de agosto, temperatura média diária de 21,1ºC na superfície dos oceanos fora das regiões polares, o maior valor de sua série histórica, iniciada em 1979.

Durante a seca de 2023-24, houve alta mortalidade de peixes e de botos-cor-de-rosa. Em 2026, apenas 2 anos depois da última seca extrema, a Amazônia volta a registrar condições excepcionais.

A baixa umidade também acelera o ressecamento da vegetação e favorece incêndios. Para peixes que usam a respiração cutânea fora d’água, isso pode significar maior perda de água, menos refúgios úmidos e exposição aos efeitos do fogo e das cinzas sobre os ambientes aquáticos.

A pesquisa científica ainda busca medir como a combinação de estiagem, calor e ar seco afeta a fauna amazônica. O monitoramento simultâneo da atmosfera, dos ambientes aquáticos e das respostas fisiológicas dos animais é necessário para avaliar os limites dessas espécies diante de eventos extremos.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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