A percepção de que as cidades não estão prontas para enfrentar eventos climáticos extremos alcança 61% dos moradores do Centro-Oeste, segundo pesquisa da Nexus. Outros 20% consideram insuficiente a preparação municipal, e apenas 2% avaliam que existe estrutura adequada.
O levantamento também identificou pouco conhecimento sobre o El Niño: 40% dos entrevistados dizem não conhecer o fenômeno, enquanto 21% afirmam já ter ouvido falar, mas saber pouco sobre o tema. Depois de receberem uma explicação, 53% passaram a demonstrar alto grau de preocupação com os efeitos do fenômeno.
Mudanças percebidas e causas apontadas
Metade dos moradores afirma que o clima mudou muito no último ano. Outros 34% perceberam alguma mudança. Com isso, 84% relataram alterações no clima. O índice de percepção de mudanças intensas é menor que a média nacional, de 56%, e fica abaixo do registrado no Norte, onde chega a 69%.
Para 52% dos entrevistados, os eventos climáticos estão ligados às ações humanas. Outros 27% veem uma combinação de fatores naturais e atividade humana. Já 17% atribuem as mudanças exclusivamente a causas naturais.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, afirma que o Centro-Oeste, que tem produção agrícola e biomas como o Cerrado e o Pantanal, sente a estiagem prolongada com intensidade quase duas vezes maior que a média brasileira. “É um alerta para a segurança hídrica e para a economia local”, disse.
Eventos mais citados
A seca prolongada e a falta de água foram mencionadas por 39% dos moradores como um dos principais problemas enfrentados no último ano. A taxa é próxima do dobro da média nacional, de 22%.
As ondas de calor aparecem em 63% das respostas, o maior percentual entre os eventos avaliados. Chuvas intensas e alagamentos foram citados por 20%, enquanto 14% mencionaram tempestades acompanhadas de vento ou granizo.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em entrevistas presenciais realizadas em diferentes regiões do país. A amostra considerou sexo, idade, renda e local de residência, com coleta de dados georreferenciados.








