Uma revisão publicada na revista Recent Progress in Nutrition analisa como uma alimentação com mais vegetais pode influenciar a percepção sobre pele, odor corporal e composição do corpo. O trabalho foi publicado em 22 de junho e reuniu mais de 30 estudos sobre alimentação e atratividade física.
Pele e odor corporal
Entre os efeitos avaliados está a tonalidade da pele. Frutas e vegetais amarelos, laranjas e vermelhos são ricos em carotenoides, substâncias que podem alterar essa característica. Os estudos associam a mudança a uma aparência percebida como mais saudável, mas os pesquisadores ressaltam que isso não comprova uma melhora na saúde interna.
A revisão também encontrou evidências de que, em homens, um maior consumo de vegetais pode estar relacionado a um odor do suor considerado mais agradável do que o observado em dietas com mais carne. Em um experimento, o consumo de alho também foi associado a avaliações mais positivas do cheiro corporal.
A composição corporal é outro aspecto discutido. Alguns estudos relacionam níveis menores de gordura corporal a uma percepção maior de atratividade. Como dietas com mais vegetais costumam estar ligadas a menor índice de massa corporal, os autores consideram possível uma relação indireta entre alimentação e percepção física.
Uso em campanhas de saúde
Os pesquisadores afirmam que campanhas de saúde geralmente destacam prevenção de doenças e longevidade, enquanto decisões individuais podem ser influenciadas por aparência e aceitação social. Por isso, mensagens sobre alterações visíveis e rápidas poderiam ser usadas para incentivar mudanças na alimentação.
Em um experimento citado na revisão, participantes que viram simulações de mudanças na cor da pele associadas à dieta passaram a consumir mais frutas e vegetais durante dez semanas. Para os autores, apresentar resultados visíveis pode aproximar motivações pessoais de objetivos de saúde.
Limites da abordagem
A revisão destaca que parte das associações identificadas não demonstra uma relação direta de causa e efeito. Os pesquisadores também alertam que usar a aparência como argumento pode reforçar padrões prejudiciais de imagem corporal e aumentar o risco de comportamentos relacionados a transtornos alimentares.
A recomendação é que estratégias desse tipo usem informações claras e não estimulem estigmas ligados ao corpo. A conclusão é que dietas ricas em vegetais podem produzir mudanças perceptíveis, mas ainda existem lacunas sobre a conversão desses efeitos em benefícios consistentes para a saúde.








