Um estudo com 45 pessoas relacionou o uso de cigarro eletrônico a alterações na função pulmonar mais intensas do que as observadas entre fumantes de cigarro convencional. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT-RS).
Publicado nesta sexta-feira (2/10) na revista Fisioterapia em Movimento, o trabalho avaliou participantes de 18 a 40 anos, distribuídos entre usuários de vape, fumantes de cigarro e não fumantes. Todos fizeram espirometria, exame que verifica o volume e a velocidade do ar expelido pelos pulmões.
Diferenças na função pulmonar
Os usuários de vape tiveram desempenho inferior em indicadores pulmonares. Eles expeliram menos ar no primeiro segundo da expiração e também apresentaram resultados proporcionais piores que os fumantes de tabaco.
De acordo com os pesquisadores, esse padrão sugere maior dificuldade para a saída do ar dos pulmões e pode indicar mudanças precoces nas vias aéreas. Alterações desse tipo podem estar ligadas, com o passar do tempo, a doenças como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Em comunicado, Emmanuel Souza da Rocha, um dos autores, afirmou que os efeitos podem aparecer ainda no início do uso e sem sinais perceptíveis na rotina. Segundo ele, mesmo entre jovens considerados saudáveis, o grupo que usava vape apresentou sinais de obstrução pulmonar superiores aos observados entre fumantes de cigarro comum.
Os participantes também relataram sintomas. A maioria dos usuários de vape disse ter percebido piora na saúde depois de começar a usar o dispositivo, principalmente por causa de episódios de tosse. Esse grupo tinha, em média, 21 anos e usava cigarro eletrônico havia cerca de oito anos.
A equipe ressalta que a falta de combustão não elimina possíveis efeitos no organismo. O vapor inalado pode interferir no funcionamento dos pulmões.
Os autores afirmam que são necessários acompanhamentos por períodos mais longos para avaliar os efeitos do uso. Para a equipe, os resultados reforçam a necessidade de cuidados e de mais informação sobre os riscos do cigarro eletrônico, além de questionarem a ideia de que o vape seja uma alternativa mais segura ao cigarro tradicional.








