Uma maior ingestão de vitamina K1 foi associada a uma melhor função pulmonar e a uma menor ocorrência de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), segundo um estudo com 179.062 participantes do Reino Unido. A pesquisa foi publicada no The American Journal of Clinical Nutrition.
Os participantes não tinham DPOC nem asma no início da análise. Os pesquisadores estimaram o consumo de vitamina K1 e K2 por meio de recordatórios alimentares de 24 horas e acompanharam os diagnósticos em registros hospitalares, da atenção primária e de óbitos.
Resultados sobre DPOC e função pulmonar
Em um acompanhamento mediano de 10,5 anos, 3.135 participantes desenvolveram DPOC e 4.269 tiveram asma. O grupo com maior consumo de K1 apresentou uma taxa 16% menor de DPOC do que o grupo com menor ingestão.
A associação deixou de aumentar de forma progressiva acima de aproximadamente 250 microgramas de K1 por dia. Isso indica que o estudo não observou uma redução adicional da ocorrência da doença além desse nível de consumo.
A relação também foi identificada em exames de espirometria. Entre 152.727 participantes com dados adequados, aqueles que consumiam mais K1 apresentaram, em média, capacidade vital forçada 44 mililitros maior e volume expiratório forçado no primeiro segundo 32 mililitros maior.
Essas medidas indicam, respectivamente, a quantidade de ar expelida após uma inspiração profunda e o volume eliminado no primeiro segundo da expiração. As associações foram mais fortes entre fumantes e pessoas que trabalhavam em ocupações consideradas de maior risco respiratório.
A filoquinona, nome dado à vitamina K1, foi obtida principalmente de brócolis, vegetais de folhas verdes e óleos vegetais. A K2 apareceu sobretudo em frango, ovos, laticínios e carne vermelha, mas não foi associada a menor ocorrência de DPOC. As relações entre K2 e a função pulmonar também foram mais fracas e menos consistentes.
Nenhuma das duas formas da vitamina foi associada ao desenvolvimento de asma. A vitamina K também participa da produção de proteínas envolvidas na coagulação do sangue e da ativação de proteínas relacionadas à manutenção e à formação dos ossos.
Limites da pesquisa
Os resultados não comprovam que aumentar o consumo de K1 previna a DPOC ou melhore diretamente o funcionamento dos pulmões. Como o estudo foi observacional, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito.
Os participantes com maior ingestão de K1 também apresentavam, em geral, hábitos mais saudáveis. Os pesquisadores ajustaram as análises para fatores como idade, atividade física, tabagismo, alimentação e condições socioeconômicas.
Os autores afirmam que ensaios clínicos e novas pesquisas ainda são necessários para verificar se o aumento da ingestão alimentar de K1 ou o uso de suplementos pode reduzir o risco de DPOC ou melhorar a função pulmonar.








