A velocidade da caminhada pode estar relacionada ao risco de morte mesmo quando a pessoa não alcança 5.000 passos por dia. A associação foi identificada em um estudo publicado na revista científica British Journal of Sports Medicine.
A pesquisa analisou dados de 103.684 adultos de meia-idade e idosos do UK Biobank, banco de dados de saúde do Reino Unido. Entre 2013 e 2015, os participantes usaram acelerômetros presos ao pulso durante sete dias, enquanto os pesquisadores registravam seus padrões de movimento. O acompanhamento ocorreu até novembro de 2022 e considerou mortes por qualquer causa e por doenças cardiovasculares.
Para avaliar a intensidade da caminhada, o estudo usou a cadência máxima de 30 minutos. O indicador representa a média de passos por minuto nos 30 minutos de maior intensidade de movimento de cada participante. Os voluntários foram separados em quatro faixas de passos diários: menos de 5.000; entre 5.000 e 7.500; de 7.500 a 10.000; e mais de 10.000.
Resultados
A análise de mortalidade por qualquer causa incluiu 64.743 participantes. Em cerca de oito anos de acompanhamento, foram registradas 1.697 mortes.
Entre as pessoas que davam menos de 5.000 passos por dia, caminhar a uma cadência de 80 passos por minuto esteve associado a um risco de morte 28% menor do que o observado no grupo de referência. A relação também apareceu nas mortes por doenças cardiovasculares.
Outro resultado foi observado entre aqueles que acumulavam de 5.000 a 7.500 passos por dia. Nesse grupo, uma cadência de 60 passos por minuto esteve associada a um risco de morte 30% menor em relação ao grupo de referência, mesmo com ritmo mais lento.
O menor risco de morte por qualquer causa foi identificado entre os participantes que caminhavam de 7.500 a 10.000 passos por dia. O benefício foi maior perto de uma cadência de 100 passos por minuto. De maneira geral, velocidades mais altas estiveram associadas a menor mortalidade em diferentes volumes diários de caminhada.
Aplicação e limites
Os autores afirmam que quantidade de passos e velocidade podem ser consideradas estratégias complementares. Pessoas com pouco tempo ou limitações para caminhar por períodos longos podem aumentar o ritmo; quem não consegue acelerar pode elevar gradualmente o número de passos.
Entre os participantes que acumulavam menos de 7.500 passos por dia, manter uma cadência mais alta por pelo menos 30 minutos diários esteve associado a uma redução progressiva do risco de morte. Os autores escreveram que uma cadência de pelo menos 90 a 100 passos por minuto durante 30 minutos por dia pode ser uma meta promissora para prevenir a morte precoce.
O estudo é observacional. Portanto, os resultados apontam uma associação entre os padrões de caminhada e o risco de morte, mas não demonstram que caminhar mais rápido ou atingir determinado número de passos seja, por si só, a causa da redução desse risco.








