A oferta de criptoativos por bancos cresceu, mas os balancetes enviados ao Banco Central, com data-base de março de 2026, não registraram ativos virtuais próprios das instituições. O movimento indica expansão dos produtos para clientes sem adesão equivalente dos bancos a posições diretas nessa classe de ativos.
A custódia pode ser feita em nome dos clientes, sem que os criptoativos passem automaticamente a pertencer à instituição. O Banco Central informa que bancos podem intermediar e custodiar esses ativos desde que cumpram as regras aplicáveis e comuniquem formalmente a autarquia.
Produtos disponíveis
Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank ampliaram produtos relacionados a criptoativos desde o ano passado. O Itaú oferece atualmente 15 ativos, entre bitcoin, ether e USDC. O Banco Safra disponibiliza o Safra Dólar, stablecoin própria lançada em 2025 e atrelada à dolarização do patrimônio.
O Banco do Brasil passou a oferecer, em janeiro, investimentos diretos em bitcoin e ether. O serviço movimentou mais de R$ 11 milhões em transações, segundo a instituição. Desde 2022, o banco também permitia exposição por meio de fundos e ETFs. Bradesco e Santander oferecem exposição por esse tipo de produto.
O Nubank acrescentou quatro criptomoedas ao portfólio em maio de 2026. A plataforma tem 28 ativos disponíveis e mais de 7 milhões de clientes no Brasil. A fintech classifica os criptoativos como investimentos de alto risco.
Risco e regulamentação
Criptomoedas são negociadas em redes de computadores que registram e validam transações sem um sistema centralizado como o de um banco. O bitcoin é a mais conhecida; o ether está ligado à rede Ethereum, e as stablecoins buscam manter valor próximo ao de moedas tradicionais, como o dólar.
Analistas recomendam limitar a exposição. Cristiano Corrêa, professor de finanças do Ibmec, afirma: “Em cripto, esses movimentos podem ser muito mais rápidos e maiores.” Felipe Quiodine, planejador financeiro pela Planejar, sugere: “Algo entre 1% e 3% da carteira total.”
A Receita Federal informou que pessoas jurídicas movimentaram cerca de R$ 497 bilhões com criptoativos no Brasil em 2025. O valor correspondeu a 98,3% dos R$ 505,5 bilhões informados por pessoas físicas e jurídicas. O total cresceu 22% em relação a 2024 e 433% desde 2020.
O Marco Legal dos Criptoativos foi aprovado em 2022. Desde 2026, o Banco Central regulamenta as prestadoras de serviços de ativos virtuais, com exigências de capital mínimo, segregação patrimonial e supervisão. As empresas que já atuavam no mercado têm prazo até novembro para se adequar.








