CALCUTÁ — Um documentário sobre a vida e a atuação de Santa Teresa de Calcutá estreou no sábado, durante sua festa litúrgica, em uma sessão que reuniu mais de 200 pessoas na Índia. Entre os presentes estavam dezenas de freiras e noviças das Missionárias da Caridade.
Intitulado Madre Teresa – Profeta da Compaixão, o filme foi produzido pelo jornalista e autor Anto Akkara e exibido no Auditório do St Xavier's College, na Park Street. O arcebispo Elias Frank de Calcutá presidiu a estreia e afirmou que a produção apresenta aspectos menos conhecidos da trajetória da religiosa.
“Estamos aqui, queridos amigos, não apenas para ver o que ele fez, mas para sermos inspirados pelo trabalho da Madre”, disse Frank. O arcebispo também mencionou a análise do documentário sobre acontecimentos ligados às Missionárias da Caridade.
Akkara afirmou que seu contato com Madre Teresa começou em 1995, quando, aos 33 anos, realizou uma entrevista com ela. Depois, acompanhou a congregação em momentos considerados cruciais e esteve em Calcutá muitas vezes desde o funeral da religiosa, em 1997. Ele disse ter visitado a cidade mais de duas dezenas de vezes para reportagens internacionais.
Episódios retratados
O documentário tem 66 minutos e foi desenvolvido a partir de uma versão produzida para o 75º Dia de Fundação da congregação, em outubro de 2025. A nova edição acrescentou mais de uma dúzia de episódios e relatos internacionais. A Atmadarshan TV, de Indore, apoiou a produção.
A narrativa acompanha o trabalho de Madre Teresa desde os primeiros anos na Índia até a expansão mundial das Missionárias da Caridade. Entre os episódios estão ações em Patna em 1948, Jharkhand em 1959 e Nova Délhi em 1961.
O filme também aborda a atuação da congregação em áreas de conflito. São citados os assassinatos de irmãs no Iêmen em 1998 e 2016, a expulsão das Missionárias da Caridade da Nicarágua e a permanência de religiosas em Gaza e na Ucrânia durante bombardeios.
Entre os entrevistados está o fotógrafo Raghu Rai. A produção ainda recorda o apreço de Madre Teresa pelo primeiro-ministro Jawaharlal Nehru durante a inauguração de um novo prédio do Shishu Bhavan, em Nova Délhi.
Histórias da congregação
Segundo Akkara, o documentário contesta alegações de que o trabalho caritativo de Madre Teresa teria sido principalmente um meio de conversão religiosa. A produção destaca o atendimento a pessoas em extrema pobreza, crianças, órfãos, pessoas com deficiências e doenças mentais e afetados pela hanseníase.
O filme relata que os sáris brancos com listras azuis usados pelas irmãs são tecidos por pessoas afetadas pela hanseníase no centro Titagarh, dedicado a Mahatma Gandhi. Também apresenta os esforços de Madre Teresa para convencer a Força Aérea Indiana a plantar árvores em um lar para hansenianos em Délhi.
Outro episódio trata da recusa de um convite papal para a Jornada Mundial da Juventude de 1993, em Denver. Na ocasião, Madre Teresa teria escolhido viajar para Borduria, em Arunachal Pradesh, para intervir contra a morte de bebês nascidos com deformidades.
A produção também conta que um sorteio foi organizado para arrecadar recursos para o hospital de hanseníase em Shanti Nagar, com a venda de um papamóvel supostamente doado a Madre Teresa após o Congresso Eucarístico Mundial de 1964, em Mumbai. O documentário relembra ainda o pedido para que o Comitê Nobel cancelasse o banquete do Prêmio Nobel e destinasse o dinheiro a órfãos em Calcutá.
Nascida Anjezë Gonxhe Bojaxhiu em 1910, na atual Macedônia do Norte, Madre Teresa chegou à Índia em 1929 como Irmã Loreto e fundou as Missionárias da Caridade em 1950. A congregação se expandiu pelo mundo com o objetivo de ampliar a compaixão e o cuidado, mantendo o compromisso com pessoas desamparadas.








