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Votação em Saxônia-Anhalt testa força da AfD e pressiona governo alemão

Partido de ultradireita lidera pesquisas e pode assumir o governo estadual, enquanto a CDU de Friedrich Merz aparece em segundo lugar.

Votação em Saxônia-Anhalt testa força da AfD e pressiona governo alemão
Foto: Ronny Hartmann/AFP

A AfD pode transformar o desempenho nas urnas em controle do governo estadual mesmo sem superar 50% dos votos. O sistema parlamentarista local e a cláusula de barreira de 5% podem reduzir o percentual necessário para obter maioria de cadeiras. Cenários citados apontam que a sigla poderia precisar de cerca de 45,5% ou até 42,5%, dependendo dos partidos que ficarem fora do Parlamento.

A votação ocorre neste domingo (6), no leste da Alemanha. Cerca de 1,7 milhão de eleitores podem votar até as 18h no horário local, quando as urnas serão fechadas. As pesquisas indicam a AfD entre 40% e 43% das intenções de voto. A CDU, partido do chanceler Friedrich Merz, aparece com 23%.

Uma vitória da AfD seria inédita no período posterior à Segunda Guerra Mundial: nenhum partido tão à direita liderou um estado alemão desde 1945. A sigla cresceu em diferentes estados na última década, mas não havia reunido votos ou alianças suficientes para comandar um governo estadual.

O candidato Ulrich Siegmund, 35, afirmou em um ato no sábado, em Magdeburgo, que o partido já havia feito história antes da apuração. “Porque o que começamos aqui na Saxônia-Anhalt está se espalhando por toda a Alemanha e não pode mais ser detido”, disse.

Disputa amplia pressão sobre Friedrich Merz

A CDU governa a Saxônia-Anhalt desde 2002, mas está cerca de 20 pontos atrás da AfD nas projeções. Merz enfrenta impopularidade e uma economia estagnada, além de ter alertado que uma chegada da AfD ao poder poderia afastar investidores.

O estado tem pouco mais de dois milhões de habitantes, é majoritariamente rural e registra a menor renda per capita da Alemanha, desemprego acima da média e perda de população desde os anos 1990, com a saída de jovens. Esses fatores econômicos e demográficos ajudaram a transformar a região em um dos principais redutos da AfD.

A sigla nunca participou de uma coalizão estadual porque partidos rivais se recusam a governar com ela. Uma maioria própria ou a necessidade de negociar para formar um governo pode enfraquecer esse isolamento político.

Programa prevê mudanças em imigração e educação

O plano de 100 dias apresentado por Siegmund prevê aumento de deportações de solicitantes de asilo rejeitados, expansão de centros de detenção de imigrantes e trabalho obrigatório para requerentes de asilo. O programa também propõe escolas especiais para os filhos dessas pessoas.

Na educação, a AfD defende o ensino domiciliar, o fim da inclusão em turmas mistas e medidas contra a chamada “linguagem neutra” e a “doutrinação” nas escolas. Entre as propostas estão o hasteamento diário da bandeira alemã e a proibição de bandeiras do arco-íris em escolas.

O partido quer reduzir a presença da “cultura da memória” sobre os crimes do período nazista, destacar períodos de “sucesso” da história alemã e ampliar o ensino de russo. Também propõe uma “patrulha cidadã” para auxiliar a polícia e menciona ocupar cerca de 200 postos estratégicos do serviço público.

A AfD pretende ainda alterar a agência estadual de inteligência, cancelar o acordo de radiodifusão com ARD e ZDF e criar uma comissão para investigar a condução da pandemia de covid-19. Especialistas apontam obstáculos legais e prazos para mudanças na radiodifusão.

O diretório estadual da AfD é classificado desde 2023 como “organização extremista de direita confirmada” pelo órgão estadual de proteção da Constituição. O partido também é monitorado por órgãos de inteligência, e alguns filiados foram relacionados a grupos neonazistas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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