SAXÔNIA-ANHALT — Ulrich Siegmund, da AfD, afirmou que pretende manter os princípios do partido após vencer a eleição no estado, mas também disse que poderá buscar apoio de outras forças democráticas para formar um governo. A declaração ocorreu durante uma entrevista ao vivo com Marietta Slomka, apresentadora da ZDF.
Siegmund havia prometido não fazer coalizões e governar apenas com uma maioria segura. Questionado sobre como obteria estabilidade, respondeu que não queria repetir a conduta de partidos como a CDU, do primeiro-ministro Friedrich Merz. Segundo ele, a legenda faz, depois das eleições, o contrário do que prometeu antes da votação.
Ao ser pressionado sobre quem poderia apoiar seu governo, o político afirmou que é necessário estender a mão a outra força democrática, incluindo partidos ou deputados individuais. As projeções, porém, indicam que a AfD pode precisar de negociações para governar. Entre as possibilidades citadas estão uma coalizão com a BSW, que parece ter superado a cláusula de barreira, e eventuais defecções na CDU.
Resultado estadual e ambições nacionais
Siegmund disse que mais de 44% dos eleitores votaram por uma mudança política voltada para o próprio país e para o próprio povo. Ele também defendeu uma reaproximação com a Rússia, que, segundo a AfD, poderia voltar a fornecer gás natural e reduzir os preços da energia.
Depois de votar, o político afirmou que pretendia conversar com Donald Trump e Vladimir Putin para trazer a Rússia de volta à mesa. Durante a entrevista, Marietta Slomka lembrou que o resultado ainda dizia respeito ao estado e a Magdeburgo, não ao governo federal.
Siegmund respondeu que, se a AfD mantiver seus números até 2029, será necessário discutir essa projeção. Ele declarou ainda que a eleição já havia feito história e que a população da Saxônia-Anhalt demonstrou que a situação não poderia continuar como estava.
A vitória pode levar a AfD a liderar o primeiro governo de extrema direita da Alemanha no pós-guerra, ou desde o Partido Nazista de Adolf Hitler. Siegmund recebeu da revista Der Spiegel o apelido de “homem mais perigoso da Alemanha”, que acabou sendo usado como ativo de campanha.








