Os Estados Unidos criticaram a escolha do ex-chanceler chileno José Miguel Insulza para chefiar a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que acompanhará as eleições presidenciais do Brasil em outubro. Até o momento, a Casa Branca e o Departamento de Estado não fizeram manifestação pública sobre o caso, e não foram identificadas as autoridades americanas responsáveis pelas críticas.
A decisão foi tomada pelo secretário-geral da OEA, Albert Ramdin. A avaliação atribuída ao governo americano é que outro nome deveria ter sido escolhido, como o de um ex-presidente da região. A relação política de Insulza com Luiz Inácio Lula da Silva ao longo das últimas duas décadas estaria entre os motivos da resistência à nomeação.
A OEA anunciou oficialmente a escolha em 13 de agosto. Insulza comandará a missão que observará o pleito marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno previsto para 25 de outubro. O acordo para a atuação do grupo foi assinado em Washington por Ramdin e pelo representante permanente do Brasil na OEA, Benoni Belli. Será a quinta missão de observação eleitoral enviada ao país desde 2018.
Relação com Lula
Insulza apoiou sua candidatura à secretaria-geral da OEA em 2005, quando era ministro do Interior do governo chileno de Ricardo Lagos. Em 2016, assinou uma declaração internacional de apoio a Lula durante as investigações da Operação Lava Jato. O documento dizia que o petista não estava “acima das leis”, mas afirmava que ele não poderia sofrer “ataques injustificados à sua integridade pessoal”.
A declaração também foi assinada por Cristina Kirchner, José Mujica, Felipe González e Ricardo Lagos. No Chile, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara decidiu, por unanimidade, manifestar preocupação ao Ministério das Relações Exteriores pela participação de Insulza no documento.
O chileno foi secretário-geral da OEA entre 2005 e 2015, ocupou o Ministério do Interior e foi senador entre 2018 e 2026. Filiado ao Partido Socialista chileno, exerceu dois mandatos consecutivos à frente da organização.
Em maio deste ano, Insulza criticou o avanço de governos de direita na América Latina e a política de Donald Trump para a região. Ele disse que países latino-americanos haviam escolhido “soluções de extrema-direita” e afirmou que Trump “carece de uma visão clara de política externa”. Também acusou o presidente americano de “enxergar a América Latina como alvo de oportunismo”.








