O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu no domingo (6) a eleição para o Parlamento da Saxônia-Anhalt. Se Ulrich Siegmund for escolhido pelo novo Legislativo para comandar o Executivo, a legenda governará pela primeira vez um estado alemão.
Siegmund nasceu em Havelberg, na Saxônia-Anhalt, em 1990, ano da reunificação alemã. Ele estudou administração de empresas em Hamburgo e, em 2014, fundou uma empresa de comercialização de óleos aromáticos, acessórios e tecnologias de aromatização. Também passou a atuar com consultoria em marketing e vendas nesse setor.
Trajetória política
Antes de entrar no AfD, Siegmund foi membro da União Democrata-Cristã (CDU), partido de centro-direita do chanceler Friedrich Merz e que governa atualmente a Saxônia-Anhalt. Aos 24 anos, migrou para o AfD. Em 2016, foi eleito deputado estadual pela primeira vez.
Siegmund teve educação católica, mas deixou a Igreja em 2017. Ele afirma manter os valores católicos “no coração”, embora rejeite a administração da Igreja no estado, acusada pelo AfD de ter perfil esquerdista.
O bispo de Magdeburgo, Gerhard Feige, afirmou que o AfD “não pode ser uma alternativa para os católicos” e que quem leva o Evangelho a sério e ama sua Igreja não pode votar em pessoas que a menosprezam.
A trajetória de Siegmund também inclui controvérsias relacionadas ao partido. Em 2023, o Escritório de Proteção da Constituição da Saxônia-Anhalt classificou o AfD como uma organização “comprovadamente extremista de direita”. A legenda contesta a classificação na Justiça.
Em fevereiro de 2024, o Parlamento estadual retirou Siegmund da presidência da Comissão de Trabalho, Assuntos Sociais, Saúde e Igualdade. A decisão ocorreu após sua participação em um evento realizado em novembro de 2023, em Potsdam, que a oposição ao AfD considerou ligado a extremistas de direita. Siegmund disse que comparecer a um evento não significa necessariamente concordar com seu conteúdo.
No mês passado, uma revista alemã publicou na capa uma imagem de Siegmund no estilo de uma ficha policial e o chamou de “o homem mais perigoso da Alemanha”. O candidato passou a usar a capa na campanha. Em um comício em Bad Dürrenberg, em agosto, apoiadores levaram exemplares para autógrafos. Siegmund afirmou que os itens assinados são revendidos por mil euros no eBay e disse encarar a situação com bom humor.








