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Política

Afastamento de diretor da PF aprofunda crise entre Judiciário e governo

Decisão de André Mendonça retirou Andrei Rodrigues do comando da PF e provocou reação de diretores e delegados da corporação.

Afastamento de diretor da PF aprofunda crise entre Judiciário e governo

A decisão de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e ampliou a crise entre a corporação, o Judiciário e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, também foi retirado do cargo.

A Segunda Turma do STF formou maioria para manter as medidas, com os votos de Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes. Dias Toffoli ainda não se manifestou. O governo pretende recorrer e pedir a revogação do afastamento ou o envio do caso ao plenário, que reúne os dez ministros.

Relatórios de inteligência

Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento ilegal e sistemático e determinou uma investigação sobre a produção de relatórios da PF. Os documentos foram elaborados pela área de inteligência entre os dias 3 e 31 de agosto, com análises sobre decisões e a atuação do ministro nos casos Banco Master e INSS.

Os relatórios também avaliaram a relação de Mendonça com outras autoridades, entre elas o advogado-geral da União, Jorge Messias. A pedido de Alexandre de Moraes, Rodrigues encaminhou os documentos ao ministro, que depois os utilizou para questionar a conduta de Mendonça.

O conflito vinha se intensificando desde o início de 2026. Em abril, Mendonça restringiu o acesso de delegados e integrantes da cúpula da PF, incluindo Rodrigues, a determinadas apurações. O ministro alegou preocupação com vazamentos e interferências e, nos meses seguintes, demonstrou insatisfação com o andamento das investigações.

Relação com Lula

Rodrigues comandou a segurança de Lula durante a campanha de 2022 e foi escolhido para dirigir a PF após a vitória do presidente, em janeiro de 2023. A proximidade o colocou entre os nomes considerados para funções no governo.

Na saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, Rodrigues chegou a ser cotado para assumir a pasta. Aliados também o viam como o nome mais bem posicionado para um eventual ministério dedicado à Segurança Pública, previsto em uma proposta de desmembramento do Ministério da Justiça.

O cientista político Gustavo Alves afirmou que Rodrigues “poderia ser o ministro da Segurança em uma eventual reeleição de Lula em 2026”. O diretor também apareceu em posição de destaque perto da tribuna presidencial durante o desfile de 7 de Setembro deste ano.

Lula vinha criticando vazamentos que considerava seletivos em investigações sobre seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sobre o INSS e o Banco Master. Rodrigues defendia a autonomia da PF e dizia que a corporação não atuava para proteger ou perseguir pessoas. Lula ainda não se pronunciou publicamente sobre o afastamento.

Reação na Polícia Federal

Onze diretores da PF colocaram os cargos à disposição em apoio a Rodrigues e Almada. Delegados e superintendentes das 27 unidades regionais articulam uma possível saída coletiva. A manifestação foi encaminhada ao diretor-geral interino, William Murad, que havia defendido Rodrigues durante um evento em Brasília.

Em nota, os diretores classificaram as acusações contra Rodrigues, Almada e a corporação como “desprovidas de fundamento” e rejeitaram a atribuição de uma atuação “não republicana” à PF. Peritos também defenderam que o caso seja analisado pelo plenário do STF, e não apenas pela Segunda Turma.

Para Luiz Augusto Módolo, doutor em Direito pela USP, o episódio pode reforçar a tese de aparelhamento político da PF. André Marsiglia, constitucionalista, afirmou que a crise entre STF e PF afeta diretamente o governo e ocorre a poucos dias das eleições.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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