Leandro Almada da Costa foi afastado preventivamente da Polícia Federal por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em 3ª feira (8.set.2026). Ele ocupava desde dezembro de 2024 a Diretoria de Inteligência Policial da corporação. No mesmo despacho, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Almada entrou na Polícia Federal em 2008, após trabalhar como delegado da Polícia Civil de Minas Gerais. Na corporação, comandou as superintendências do Amazonas, da Bahia e do Rio de Janeiro e exerceu outras funções de direção. Em 2020, foi diretor de Operações do Ministério da Justiça, quando André Mendonça comandava a pasta durante o governo de Jair Bolsonaro.
Participação no caso Marielle
O delegado atuou em fases distintas da investigação sobre as mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Em 2019, presidiu um inquérito sobre uma tentativa de interferência no caso. A apuração identificou como falsa uma versão apresentada pelo policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, que atribuía o crime a Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curicica.
Já em 2024, enquanto chefiava a PF no Rio de Janeiro, Almada participou da etapa que levou às delações premiadas dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. Os dois foram apontados como executores do assassinato.
O afastamento está ligado à elaboração de relatórios de inteligência da PF sobre André Mendonça. Conforme a decisão, os documentos examinaram a atuação do ministro e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Mendonça também ordenou que a Corregedoria da PF apure quem pediu e produziu os relatórios. A decisão não afirma que Almada tenha ordenado diretamente a elaboração dos documentos, mas o retirou da Diretoria de Inteligência, setor responsável por produzi-los.








