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Política

Mendonça afasta chefes da PF e manda investigar relatórios sem autoria

Ministro afirma que documentos monitoraram autoridades e ordena apuração sobre quem os produziu, determinou e divulgou.

Mendonça afasta chefes da PF e manda investigar relatórios sem autoria

Relatórios sem autoria, data, timbre ou controle institucional levaram o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a afastar cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O magistrado também determinou uma investigação sobre a origem dos documentos e a existência de outros materiais semelhantes.

A decisão, tornada pública nesta terça-feira (8), ordena ainda a suspensão da produção, elaboração ou compartilhamento de qualquer relatório do tipo, inclusive internamente. Mendonça apontou indícios de omissão, participação e conhecimento de integrantes da cúpula da PF na elaboração dos documentos.

O que os relatórios analisavam

Mendonça afirma ter sido monitorado ilegalmente por mais de um mês e identificado como alvo de seis relatórios de inteligência entre os dias 3 e 31 de agosto. Os documentos também analisaram o advogado-geral da União, Jorge Messias, decisões do STF, a atuação da Advocacia-Geral da União e o trabalho de delegados e agentes da própria Polícia Federal.

Parte do material levantava uma suposta relação entre Mendonça e Messias, citando uma matriz religiosa comum e apoio recebido em igrejas evangélicas para candidaturas ao Supremo. Os relatórios afirmavam que, por causa dessa relação, Messias não teria atendido a um pedido de Andrei Rodrigues para que a AGU ingressasse com uma ação contra decisões de Mendonça.

Os documentos também recomendavam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não indicasse novamente Messias para uma vaga no STF. O argumento era que, como ministro, ele priorizaria sua relação com Mendonça em detrimento da redução dos riscos de exploração política de um caso envolvendo o filho do presidente.

Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, é investigado por tráfico de influência em um inquérito relatado por Mendonça.

Questionamentos sobre a PF

Segundo o ministro, os relatórios ultrapassaram a produção de informações para ações de segurança pública e passaram a examinar autoridades, decisões judiciais e policiais federais. Um dos documentos avaliava fundamentos de decisões e riscos relacionados à atuação do relator. Outro analisava o trabalho de delegados responsáveis por representações policiais.

Mendonça também mencionou referências a informações sigilosas sobre medidas cautelares ainda não divulgadas. Para ele, a exposição antecipada poderia comprometer investigações em andamento. O ministro classificou como ilícito o “monitoramento e coleta dirigida” de informações.

Os documentos utilizados por Alexandre de Moraes para pedir a inclusão de Mendonça no chamado Inquérito das Fake News eram apresentados como material de trabalho, sem valor probatório e com confiança agregada baixa. Para o ministro, as circunstâncias indicam fatos de extrema gravidade, com possíveis repercussões institucionais e sobre a segurança de autoridades públicas.

A decisão cita a ADPF 722, julgada pelo Supremo em 2022. O entendimento mencionado considera inconstitucionais a produção ou o compartilhamento de informações sobre a vida pessoal e as escolhas políticas de cidadãos que atuem dentro da legalidade. A atividade de inteligência, conforme o precedente citado, deve respeitar o regime democrático e estar vinculada ao interesse público.

A doutora em Direito Público Clarisse Andrade afirmou que a existência dos relatórios não permite concluir que toda a Polícia Federal esteja politicamente aparelhada, mas disse que a natureza do material levanta questionamentos sobre os critérios usados pela corporação. O constitucionalista Alessandro Chiarottino declarou que a fiscalização de policiais federais cabe à Corregedoria, e não ao setor de inteligência.

O advogado Márcio Nunes e Chiarottino avaliaram que o episódio apresenta indícios de possível instrumentalização política da PF. Luiz Augusto Módolo afirmou que os documentos teriam monitorado Mendonça e outras autoridades em meio ao conflito envolvendo o ministro, Alexandre de Moraes e investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS.

A medida de Mendonça foi submetida ao referendo da Segunda Turma, que formou maioria, mas teve o julgamento suspenso por pedido de vista. Os relatórios sem autor, data, controle ou revisão possível foram descritos pelos analistas como sinais de uma vigilância clandestina.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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