O ministro Flávio Dino afirmou nesta 3ª feira (15.set.2026) que Edson Fachin arquivou, por decisão individual, um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso do Banco Master. O documento menciona uma possível relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador da instituição.
A declaração ocorreu após Dias Toffoli se declarar impedido e deixar o julgamento que avalia a abertura de investigação contra Moraes. Toffoli recordou que, quando era relator do caso, seu afastamento foi discutido em uma reunião com os ministros. Segundo ele, Dino defendeu a medida para preservar a imagem do Supremo.
Dino confirmou que houve uma reunião informal convocada pela Presidência da Corte e disse ter sugerido o afastamento de Toffoli da condução do processo. O ministro também afirmou que o relatório da PF não foi submetido ao colegiado e que o arquivamento ocorreu por decisão monocrática de Fachin. Para Dino, o Supremo pode precisar analisar essa circunstância.
O relatório foi concluído em fevereiro e, depois da redistribuição, ficou sob a relatoria de André Mendonça. O ministro Fachin articulou a mudança, e Mendonça passou a conduzir o caso. O documento permaneceu arquivado.
Julgamento no Supremo
Os ministros começaram nesta 3ª (15.set.2026) a analisar se a Polícia Federal poderá continuar as apurações sobre a interlocução entre Vorcaro e Moraes. O relatório tornou-se público em 1º de setembro e afirma que Vorcaro pediu a intervenção do ministro antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.
O documento também aponta contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. Antes de autorizar o prosseguimento do caso, Mendonça enviou a questão ao plenário do Supremo.
Em manifestação de 1º de setembro, a Procuradoria-Geral da República considerou inválido o procedimento da PF por duas razões: a realização de diligências contra pessoas específicas sem solicitação do Ministério Público ou iniciativa da própria polícia e a necessidade de autorização do plenário para investigar um ministro do Supremo.
Moraes pediu a investigação de Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. Fachin assumiu a relatoria desse pedido. O presidente do Supremo também marcou para 23 de setembro o julgamento separado do caso.







