O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou em 8 de setembro de 2026 o afastamento imediato de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e de Leandro Almada, diretor de Inteligência da corporação.
A decisão aponta que a inteligência da PF produziu relatórios voltados a interpretar motivações pessoais e políticas relacionadas a decisões judiciais e à atuação de autoridades. Para Mendonça, o procedimento representa desvio de finalidade. Órgãos de inteligência, segundo o ministro, devem atuar na segurança pública e do Estado, sem classificar ou fichar cidadãos para punição ou perseguição política.
Precedentes do Supremo
Mendonça citou o julgamento da ADPF 722, relatado por Cármen Lúcia. No caso, Alexandre de Moraes afirmou que órgãos públicos não podem “bisbilhotar” cidadãos nem criar classificações sobre eles. O argumento foi usado para sustentar que relatórios de inteligência devem orientar estratégias, e não servir a ações de perseguição.
A decisão também mencionou afastamentos anteriores de autoridades em situações excepcionais. Entre os exemplos estão a medida de Moraes contra o governador Ibaneis Rocha após os atos de 8 de janeiro e o afastamento de Eduardo Bim da presidência do Ibama durante investigações sobre madeira ilegal.
Outro precedente citado foi a liminar de Teori Zavascki que retirou Eduardo Cunha da presidência da Câmara, posteriormente referendada pelo plenário do STF. Esses casos foram apresentados como demonstração de que a ocupação de cargos públicos não impede medidas cautelares quando submetidas ao controle da Constituição.
Referência a Orwell
Mendonça comparou o cenário à distopia descrita por George Orwell no livro 1984. Na avaliação apresentada na decisão, o monitoramento de autoridades, a divulgação posterior dos relatórios e o conhecimento prévio de Moraes sobre esse material se aproximariam da figura do “Grande Irmão”, associada ao controle estatal sobre informações e pensamentos.
O ministro classificou esses fatos como ameaças ao regime democrático e à liberdade.








