A bancada do PT na Câmara afirmou que o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal interfere na autonomia da corporação e pode favorecer o campo político ligado à família Bolsonaro. A manifestação foi assinada pelo líder do partido, deputado Pedro Uczai (RS), e defendeu a permanência de Rodrigues no cargo.
A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também retirou preventivamente o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada. O afastamento ocorreu nesta terça-feira (8). Mendonça justificou a medida pela gravidade dos indícios de monitoramento ilegal e pelo uso de relatórios de inteligência da corporação em uma investigação contra ele.
Na nota, os deputados petistas disseram que a decisão invade atribuições do Poder Executivo e teria finalidade político-eleitoral. O documento também relacionou o afastamento ao escândalo do Banco Master e afirmou que a medida beneficiaria setores que atacam a Polícia Federal e tentam desacreditar investigações contra o bolsonarismo.
“Trata-se de uma intervenção grave e ilegal na autonomia administrativa e funcional da Polícia Federal”, diz o comunicado.
Reações de deputados
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou Mendonça de tentar interferir no processo eleitoral e afirmou que a decisão teria como objetivo beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.
A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a retirada de Rodrigues equivaleria a “proteger e premiar os criminosos do Master, do INSS, da Carbono Oculto e os traficantes de drogas”. Ela também defendeu a abertura do sigilo de todo o material relacionado ao Banco Master e questionou supostas ligações de Flávio Bolsonaro e de sua família com Vorcaro.
Rogério Corrêa (PT-MG) mencionou que Mendonça já ocupou os cargos de ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) e ministro da Justiça. Para o deputado, a decisão teria protegido Flávio Bolsonaro e levantaria dúvidas sobre os objetivos da medida.
Sâmia Bomfim (PSOL-SP) classificou o afastamento como arbitrário e afirmou que a mudança na cúpula da PF impediria o avanço das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. A deputada também disse que Mendonça deveria ser considerado suspeito por ter tido um encontro privado com Vorcaro meses antes da prisão do banqueiro.








