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Saúde

Anvisa apura 13 casos de lesão ocular entre usuários de remédios GLP-1

Estudos têm resultados divergentes sobre possível relação entre semaglutida e uma doença rara do nervo óptico.

Anvisa apura 13 casos de lesão ocular entre usuários de remédios GLP-1
Foto: //Arquivo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária investiga 13 notificações brasileiras de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica em pessoas que usam medicamentos da família do GLP-1, como Ozempic e Mounjaro. A relação entre os remédios e a doença ainda não foi confirmada.

A condição pode causar perda indolor de parte da visão de um olho, geralmente percebida ao acordar. O problema ocorre quando há redução súbita da irrigação sanguínea na região inicial do nervo óptico, que leva ao cérebro as informações captadas pelos olhos. Em parte dos casos, a sequela permanece.

O que já foi observado

A neuropatia não arterítica é a forma mais comum da doença e costuma atingir pessoas acima dos 50 anos. Diabetes, hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono e um disco óptico pequeno e apertado estão entre os fatores de risco conhecidos.

Estudos populacionais estimam de 2 a 10 casos por 100 mil pessoas com mais de 50 anos a cada ano. Ao mesmo tempo, os medicamentos GLP-1 são usados por dezenas de milhões de pessoas no mundo. A fabricante da semaglutida original informa mais de 45 milhões de pacientes em tratamentos para diabetes e obesidade.

A suspeita começou a ganhar força em 2024, após pesquisadores da Universidade Harvard relatarem maior frequência da doença entre usuários de semaglutida em um centro de oftalmologia. Pesquisas posteriores chegaram a conclusões diferentes: algumas apontaram associação, enquanto outras não encontraram relação.

Uma revisão publicada em maio de 2026 na PLOS Medicine calculou risco cerca de duas vezes maior entre usuários de semaglutida. Em números absolutos, isso representaria aproximadamente um caso adicional para cada 7 mil pessoas tratadas por ano.

Já uma análise publicada na revista Ophthalmology reuniu oito ensaios clínicos, com mais de 31 mil participantes. Foram registrados cinco casos entre usuários de semaglutida e um no grupo de controle. Segundo a análise, a diferença pode ter ocorrido por acaso. Entre pessoas tratadas contra a obesidade, não apareceu sinal de aumento.

Por que a investigação continua

Os estudos observacionais acompanham grandes grupos, mas não conseguem separar completamente o efeito do medicamento das características dos pacientes. Diabetes, hipertensão e apneia do sono, por exemplo, também são fatores associados à neuropatia.

Pesquisadores avaliam ainda hipóteses como queda muito rápida da glicose e alterações da pressão arterial durante o sono. Essas possibilidades não foram comprovadas.

A Agência Europeia de Medicamentos concluiu em 2025 que a neuropatia pode ser um efeito colateral muito raro da semaglutida, com frequência de até um caso em 10 mil usuários, e determinou mudanças nas bulas. A Anvisa adotou medida semelhante.

A recomendação é não interromper o tratamento por conta própria. Os medicamentos têm benefícios documentados no controle do diabetes, na perda de peso e na proteção do coração e dos rins. O uso deve ocorrer com acompanhamento médico, e qualquer perda súbita de visão exige atendimento imediato.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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