MILÃO — A Novo Nordisk ofereceu ao governo brasileiro um desconto de 59% em um medicamento contra a obesidade e definiu critérios para os pacientes que poderiam receber o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta contempla pessoas com mais de 45 anos, obesidade, sem diagnóstico de diabetes e que já sofreram infarto.
A empresa negocia a possível incorporação de medicamentos injetáveis à rede pública, em processo analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a pedido do Ministério da Saúde. Ainda não há prazo para uma decisão.
Negociação com o governo
A Novo Nordisk já havia submetido o medicamento à Conitec, mas teve o pedido negado. No ano passado, a comissão considerou um impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões ao emitir parecer desfavorável à incorporação.
O CEO da farmacêutica, Mike Doustdar, afirmou que a empresa tenta mostrar ao governo que a adoção dos medicamentos deve ser vista também como investimento em saúde. “Precisamos garantir o acesso a eles”, disse.
Emil Larsen, vice-presidente executivo de operações internacionais da companhia, afirmou que a empresa apresentou uma “proposta muito atraente” e espera chegar a um acordo. Ele comparou a negociação ao fornecimento de insulina ao SUS por meio de compras públicas e do programa Farmácia Popular.
Larsen disse que a Novo Nordisk gostaria de reproduzir esse modelo com a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. A queda da patente acelerou a chegada de novas versões do composto ao mercado brasileiro.
Próximos medicamentos
Além dos produtos já lançados, a empresa considera o Brasil um mercado relevante para tratamentos em desenvolvimento voltados a diferentes tipos de obesidade. Doustdar afirmou que médicos e pacientes devem buscar alternativas específicas para cada caso.
O país está entre os que devem receber a versão em comprimido do Wegovy, chamada Wegovy Pill. O pedido de aprovação foi enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano.
A medicação já está disponível nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Alemanha. O México deve ser o próximo país a iniciar o uso. Larsen afirmou que a Novo Nordisk vê potencial no formato oral, especialmente se ele alcançar eficácia semelhante à das versões injetáveis.







