Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a concentrar esforços contra o ministro André Mendonça durante a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o Banco Master, Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Mendonça retirou o sigilo de materiais reunidos pela Polícia Federal, incluindo mensagens, contratos e registros relacionados à relação entre Moraes e Vorcaro. A articulação petista tenta apresentar a decisão como parte de uma estratégia eleitoral favorável a Flávio Bolsonaro.
Disputa dentro do Supremo
Apoiadores de Moraes defendem a nulidade dos procedimentos adotados por Mendonça. A alegação é que ele teria aprofundado uma investigação envolvendo outro ministro do STF sem consultar o plenário da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou posição semelhante ao tratar de uma consulta feita por Mendonça.
Moraes pediu a Edson Fachin a investigação de Mendonça no inquérito das fake news, com base em um relatório da Polícia Federal. O documento critica a atuação do ministro nos inquéritos do Banco Master e do INSS. A expectativa é barrar a investigação em uma sessão presencial do plenário prevista para a próxima semana.
Gilmar Mendes já havia classificado como “erro crasso” a participação de Mendonça em tratativas sobre uma possível delação de Vorcaro. Para ele, uma negociação desse tipo caberia ao Ministério Público ou à Polícia Federal.
Reação política
No Congresso, Davi Alcolumbre reagiu às cobranças para avançar com um pedido de impeachment de Moraes e às críticas de Flávio Bolsonaro. O presidente do Senado mencionou o pedido de R$ 130 milhões para a produção do filme Dark Horse e questionou a atribuição de responsabilidade apenas ao ministro.
Paulo Pimenta pediu a divulgação integral da investigação sobre o Banco Master, alegando que não deveria haver vazamentos seletivos. José Dirceu, por sua vez, defendeu que Mendonça se declarasse impedido no caso envolvendo Vorcaro.
O ministro afirmou que recebeu Vorcaro por iniciativa do empresário para tratar de um processo sobre créditos de precatórios de interesse do Banco Master. O encontro ocorreu no Instituto Iter, em São Paulo, instituição fundada por Mendonça, e durou cerca de 20 a 30 minutos. Mendonça também disse que recebeu o então advogado do banqueiro, Ciro Rocha Soares.
Distanciamento de Moraes
Lula divulgou um vídeo defendendo investigações contra quaisquer autoridades e atribuindo ao governo o mérito pelas apurações do Banco Master. Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha, também defendeu mudanças nos sistemas político e judicial e afirmou que ninguém está acima da lei.
Nos bastidores, Lula recebeu Gilmar Mendes e Edson Fachin em reuniões separadas, com participação de Flávio Dino. O Planalto tenta preservar sua relação com o STF e com o Tribunal Superior Eleitoral, enquanto acompanha os efeitos da crise sobre o eleitorado.
A campanha também passou a divulgar nas redes sociais um áudio no qual Ciro Rocha Soares aparece ao lado de Mendonça em uma alfaiataria de luxo. Mendonça apresentou notas fiscais para negar que tenha recebido ternos de Vorcaro. Os documentos estão em nome de sua esposa, Janey Nagliatti Mendonça.
A estratégia de afastamento de Moraes enfrenta o histórico de aproximação entre Lula e o Supremo. Analistas citados no debate avaliam que uma deterioração da imagem do ministro pode levá-lo a abandonar a defesa política de Moraes, caso a associação prejudique sua candidatura. Também há a avaliação de que a crise pode atingir outros ministros, ampliar investigações e afetar tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.









